"Queremos uma boa relação com Israel, mas não podemos aceitar um genocídio", rebate Celso Amorim
"Não somos contra Israel. Somos contra o que Netanyahu está fazendo, que é uma barbaridade”, afirma o ex-chanceler e assessor de Lula
247 - O ex-chanceler e assessor especial de Assuntos Internacionais da Presidência, Celso Amorim, reagiu às críticas do governo israelense e afirmou que não houve veto formal do Brasil ao nome de Gali Dagan para a Embaixada de Israel em Brasília. Nesta segunda-feira (25), segundo o g1, Amorim disse que a decisão de não responder ao pedido de agrément foi consequência do episódio em que o então embaixador brasileiro em Tel Aviv, Frederico Meyer, foi constrangido pelo chanceler Israel Katz em visita ao Museu do Holocausto.
“Não houve veto. Pediram um agrément e não demos. Não respondemos. Simplesmente não demos. Eles entenderam e desistiram. Eles humilharam nosso embaixador lá, uma humilhação pública. Depois daquilo, o que eles queriam?”, afirmou Amorim.
As afirmações de Amorim ocorrem após novas investidas do governo de Benjamin Netanyahu e do ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, que intensificou ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas redes sociais. Katz acusou Lula de ser “antissemita” e de apoiar o Hamas ao vincular a decisão brasileira de se retirar da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA) a um alinhamento com regimes hostis a Israel.
Amorim sustentou que a postura brasileira decorre do respeito aos ritos diplomáticos e da reação ao constrangimento imposto ao embaixador Meyer em fevereiro de 2024. Na ocasião, Israel Katz levou o diplomata brasileiro ao Yad Vashem para uma reprimenda pública, episódio que gerou forte resposta do Itamaraty e foi seguido pela declaração de que Lula seria declarado “persona non grata” em Israel.
Ao tratar da indicação de Gali Dagan, Amorim reforçou que a ausência de resposta do Brasil ao pedido de agrément não configura veto, mas uma escolha política após o incidente com Meyer. O assessor especial também reiterou que o governo deseja manter relações com o Estado de Israel, mas rejeita a ofensiva em Gaza. “Nós queremos ter uma boa relação com Israel. Mas não podemos aceitar um genocídio, que é o que está acontecendo. Nós não somos contra Israel. Somos contra o que o governo Netanyahu está fazendo, que é uma barbaridade”, afirmou.
A crise bilateral se agravou desde 2023, com a escalada da guerra em Gaza e críticas do presidente Lula à resposta militar israelense. Em maio de 2024, o Brasil retirou o embaixador em Tel Aviv e não nomeou substituto imediato, decisão publicada no Diário Oficial e confirmada por agências internacionais. A representação passou a ser chefiada por encarregado de negócios.
O desgaste ganhou novos contornos com a saída do Brasil da IHRA, medida noticiada no fim de julho e que provocou forte reação de autoridades e entidades israelenses. Paralelamente, o governo israelense indicou, em janeiro de 2025, o diplomata Gali Dagan para chefiar a missão em Brasília, mas o pedido de agrément não foi respondido pelo Brasil. Com a aposentadoria do embaixador Daniel Zonshine, Israel sinalizou operar a relação em patamar inferior até nova definição.
A avaliação de Amorim, portanto, busca enquadrar a atual fase da relação como consequência direta do tratamento dado ao representante brasileiro e de divergências sobre Gaza, e não como uma ruptura com o Estado de Israel.
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