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PL avalia que Flávio Bolsonaro ocultou relação com Vorcaro para evitar dar lugar a Tarcísio

Avaliação é de que o senador teria omitido relação com dono do Banco Master para impedir pressão pela substituição de sua candidatura presidencial

Flavio Bolsonaro, Daniel Vorcaro e Tarcísio de Freitas (Foto: Flávio Bolsonaro -Mateus Bonomi/Reuters - Tarcísio de Freitas - Lula Marques/Agência Brasil - Daniel Vorcaro - Banco Master/Divulgação - Montagem IA Dall-E)
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247 - O desgaste político do senador Flávio Bolsonaro(PL-RJ) tem se ampliado dentro do seu próprio partido em função das revelações envolvendo sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. Segundo a coluna do jornalista Gerson Camarotti, do G1, aliados avaliam que o parlamentar evitou expor os vínculos com Vorcaro para impedir uma pressão interna pela substituição de sua candidatura presidencial.

De acordo com integrantes do PL, o objetivo teria sido atravessar o prazo de desincompatibilização sem abrir espaço para o avanço do nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como alternativa eleitoral da direita em 2026.

Aliados relatam desconforto no PL

Após a divulgação de que Flávio Bolsonaro se encontrou com Daniel Vorcaro depois da prisão do ex-banqueiro, Jair Bolsonaro (PL) reforçou à direção do partido que a candidatura do filho está mantida e que não existe “plano B”.

Parlamentares do PL afirmam que, nos bastidores, Flávio negava qualquer vulnerabilidade relacionada ao chamado “caso Master” quando o tema começou a ganhar força no Congresso Nacional após o Carnaval.

Em março, o senador também negou publicamente ter relação com Vorcaro, depois que a colunista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, revelou que o telefone de Flávio Bolsonaro constava na agenda do ex-banqueiro.

Silêncio antes do prazo eleitoral gerou críticas

Segundo um deputado do PL, a situação poderia ter provocado forte pressão interna caso viesse à tona antes do prazo final de desincompatibilização, encerrado em abril. “Caso Flávio tivesse revelado esses fatos antes do prazo de desincompatibilização, em abril, a pressão seria enorme pela substituição dele pelo governador Tarcísio de Freitas. Ele deveria ter sido franco com a cúpula do partido”, declarou o parlamentar.

Segundo aliados, após o encerramento do prazo eleitoral, Flávio Bolsonaro perdeu margem para tratar do assunto internamente, já que precisaria justificar por que manteve silêncio até aquele momento. “O pior cenário acabou acontecendo: os fatos foram revelados pela imprensa deixando todo o partido na defensiva”, acrescentou o deputado.

Viagens ao exterior ajudaram a esfriar o tema

Outro interlocutor próximo ao senador afirmou que o silêncio de Flávio Bolsonaro sobre Daniel Vorcaro chamou atenção desde a prisão do ex-banqueiro, ocorrida em novembro.

Entre janeiro e fevereiro, o senador permaneceu cerca de três semanas em viagem pela França e pelo Oriente Médio, período que, segundo aliados, contribuiu para reduzir a pressão política sobre o tema.

“Flávio acabou ficando muito tempo sem precisar falar de Vorcaro. Até a viagem ajudou nesse silêncio”, afirmou um aliado do parlamentar. O mesmo interlocutor relatou estranheza pelo longo período fora do país justamente após o lançamento da pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.

Desgaste começou após surgirem áudios entre Flávio e Vorcaro

O desgaste da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ganhou força após o site The Intercept Brasil divulgar um áudio de uma conversa entre o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Na gravação, Flávio cobra o pagamento de parcelas atrasadas que, segundo a publicação, estariam relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção autobiográfica sobre Jair Bolsonaro (PL). Ao todo, Vorcaro teria repassado R$ 61 milhões para viabilizar o longa.

Flávio confirmou negociação de recursos

Inicialmente, Flávio Bolsonaro negou ter solicitado dinheiro ao empresário ou ao Banco Master. Horas depois, porém, confirmou a existência da negociação. O senador afirmou que “não ofereceu vantagens” em troca dos recursos e sustentou que os valores tratados eram de natureza “privada”.

A divulgação do áudio provocou repercussão em Brasília, especialmente porque Flávio é apontado por aliados como possível candidato à Presidência da República em 2026. O conteúdo levantou questionamentos sobre a origem e a destinação dos recursos discutidos com Vorcaro.

Produtora nega recebimento de valores

A GOUP Entertainment, produtora responsável pelo longa “Dark Horse”, negou ter recebido recursos do empresário ou do Banco Master. Em nota oficial, a empresa afirmou que “não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer empresa sob o seu controle societário”.

O caso ganhou ainda mais repercussão após a divulgação de dados da Receita Federal indicando que os valores discutidos entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro superariam pagamentos realizados pelo Banco Master a escritórios de advocacia no mesmo período.

Caso chegou ao STF

Parlamentares da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva protocolaram pedidos de investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar eventual uso de emendas parlamentares no financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro.

Os pedidos buscam esclarecer se houve utilização indevida de verbas públicas ou qualquer irregularidade relacionada aos recursos mencionados nas conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.

Até o momento, o STF ainda não decidiu sobre a abertura formal de investigação. O episódio, no entanto, segue repercutindo nos meios políticos e financeiros após a divulgação dos áudios e dos valores envolvidos nas negociações.

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