HOME > Brasil

PF reúne novas provas no caso Master e pode fechar inquérito sem delação de Vorcaro

Investigação avança sobre o Centrão e cita Ciro Nogueira em meio à expansão do caso e novas provas reunidas pela PF

Daniel Vorcaro (Foto: Reprodução )
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

247 - A Polícia Federal (PF) reúne novos elementos na investigação sobre a fraude bilionária envolvendo o Banco Master. Segundo o Metrópoles, a corporação avalia que já possui um conjunto probatório suficiente para avançar no caso mesmo sem a delação premiada de Daniel Vorcaro.

De acordo com a apuração, os investigadores consideram que a quinta fase da Operação Compliance Zero trouxe novos personagens e evidências que reforçam a linha de investigação, incluindo nomes ligados ao Centrão, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI).

Delação perde força nos bastidores

De acordo com a investigação, a possível colaboração premiada de Daniel Vorcaro teria perdido centralidade diante do volume de provas já reunidas. A avaliação da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR) é de que o banqueiro estaria tentando uma "colaboração seletiva", com a omissão de nomes e de informações sobre o destino dos recursos supostamente oriundos das fraudes.

A PF também comunicou à defesa de Vorcaro que não pretende interromper novas fases da operação enquanto aguarda eventual acordo de delação.

Provas e novos alvos da operação

Entre os elementos reunidos estão a prisão de Felipe Cançado Vorcaro, primo do empresário, além da apreensão de materiais em endereços ligados ao senador Ciro Nogueira e a coleta de dados em dispositivos eletrônicos de Daniel Vorcaro, como celulares e computadores. As autoridades afirmam que esses materiais reforçam a possibilidade de conclusão do inquérito sem depender da colaboração do investigado.

A investigação também aponta novos alvos, entre eles o senador Ciro Nogueira (PP-PI), citado em mensagens interceptadas que indicariam supostos repasses mensais de até R$ 500 mil, além do pagamento de despesas como hospedagens, passagens e contas em restaurantes.

Outro nome citado é Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, apontado como administrador formal de uma empresa que teria sido utilizada como mecanismo de repasse de vantagens financeiras. Já Bernardo Rodrigues de Oliveira Filho aparece como operador financeiro responsável pela inserção de recursos em espécie no sistema financeiro formal.

Pressão sobre a delação e risco de rejeição

As autoridades não descartam rejeitar a proposta de delação de Vorcaro caso não sejam apresentadas informações inéditas e provas consistentes. Pela legislação, o acordo exige a apresentação de elementos que corroborem as declarações, como documentos, registros e outros materiais de apoio.

Caso a delação seja rejeitada, a expectativa é de que o empresário permaneça preso enquanto o processo segue para julgamento. Ele está detido há mais de dois meses. Nos bastidores, a avaliação é de que um eventual pedido de habeas corpus teria baixa chance de sucesso diante do conjunto de provas já reunido.

Expansão da investigação e conexões políticas

A quinta fase da Operação Compliance Zero também amplia o alcance das apurações sobre relações políticas do empresário. Além de Ciro Nogueira, investigadores analisam possíveis conexões com outras figuras do Centrão.

Entre os elementos sob análise, há registros que citam o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, que teria utilizado aeronave vinculada a Vorcaro após evento em São Paulo em 2024.

Posição de Ciro Nogueira

Após ser citado nas investigações, o senador Ciro Nogueira afirmou, em nota publicada nas redes sociais, que é alvo de "perseguição política" e negou irregularidades. Segundo ele, há tentativas de "manchar" sua imagem em ano eleitoral.

"Todo ano político é a mesma coisa. Tentam parar de todas as formas quem lidera as pesquisas de intenção de votos", declarou o senador, que também afirmou já ter enfrentado situações semelhantes em 2018.

Artigos Relacionados