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Nova acusação de assédio de ex-assessora no STJ selou afastamento de Marco Buzzi

Relato foi formalizado no CNJ e levou tribunal a impor restrições ao magistrado, que nega as acusações e diz estar “muito impactado com as notícias”

Marco Buzzi (Foto: José Alberto/STJ)

247 - O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu afastar, por unanimidade, o ministro Marco Buzzi após o surgimento de uma nova acusação de assédio envolvendo uma ex-assessora que trabalhou em seu gabinete. A denúncia, considerada grave por integrantes do tribunal, teria ocorrido dentro das dependências do STJ e foi levada ao conhecimento de ministros no fim da semana passada.

As informações foram publicadas pelo colunista Bernardo Mello Franco, do jornal O Globo, e indicam que o relato foi formalizado segunda-feira (data não informada no texto original), em depoimento prestado pela ex-assessora ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Segundo a reportagem, a autora da acusação é uma servidora terceirizada do tribunal, que já deixou o gabinete de Marco Buzzi, mas continua atuando em outra área do STJ. O nome dela será mantido em sigilo durante as apurações.

A decisão de afastamento foi tomada durante uma reunião extraordinária realizada na manhã de terça-feira (data não informada no texto original), quando os ministros discutiram o caso e optaram por retirar Buzzi das funções. Conforme o relato, antes da deliberação o magistrado apresentou um atestado médico de 90 dias, o que foi interpretado por colegas como uma tentativa de atrasar o andamento das investigações.

Durante o período de afastamento, Marco Buzzi ficará impedido de acessar o gabinete e de utilizar o carro oficial. Mesmo assim, continuará recebendo salário de R$ 44 mil.

Ministros ouvidos no STJ avaliaram que o novo episódio é especialmente sensível porque envolve supostos fatos ocorridos dentro do próprio tribunal, sob a jurisdição do magistrado investigado.

Além dessa nova acusação, Buzzi já havia sido apontado em outra denúncia, relacionada a uma suposta importunação sexual contra uma jovem de 18 anos, filha de um casal de amigos, em uma praia de Santa Catarina. Agora, o ministro se tornou alvo de investigações simultâneas no CNJ, no STJ e também no Supremo Tribunal Federal (STF).

Em carta enviada a colegas nesta terça-feira (data não informada no texto original), Marco Buzzi afirmou estar abalado com o caso. “Muito impactado com as notícias”, escreveu o ministro, acrescentando estar de “consciência tranquila, mas alma muitíssimo agitada”.

No documento, ele também afirmou que a situação tem causado sofrimento a pessoas próximas. “Tudo está causando mágoas às pessoas da minha família e convivência. Creio que nos procedimentos já instauradas demonstrarei minha inocência”, declarou.

A defesa do ministro informou, em nota enviada à coluna, que não poderia comentar especificamente a acusação da ex-assessora. “Não há como se manifestar sobre episódios de contornos indefinidos sobre os quais a defesa não teve acesso. Tais informações deveriam estar em procedimento sigiloso para a devida checagem prévia antes de qualquer divulgação por fontes anônimas”, afirmou.

O ministro nega as acusações, enquanto as investigações seguem em diferentes instâncias do Judiciário.

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