Irmã de "Sicário" ameaçou expor documentos capazes de "acabar com a família" Vorcaro, aponta PF
Documento retirado do sigilo pelo STF detalha ameaças e suspeitas de lavagem de dinheiro
247 - A Polícia Federal (PF) identificou que Joana Machado de Moraes Mourão, irmã de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como "Sicário", ameaçou divulgar documentos que poderiam "acabar com a família" a família do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
As informações, segundo a coluna da jornalista Andréia Sadi, no G1, constam em relatório enviado ao ministro André Mendonça, relator do Caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), que retirou o sigilo do documento nesta terça-feira (16). O relatório integra as investigações da Operação Compliance Zero, que apura a atuação de uma suposta organização criminosa ligada ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Relatório sigiloso veio à tona após decisão do STF
Segundo a Polícia Federal, Luiz Phillipi Mourão exercia papel central no grupo investigado. Os investigadores afirmam que ele atuava no monitoramento de alvos, na obtenção ilegal de informações e em ações de intimidação.
Preso em março deste ano durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, Mourão morreu dias depois. Os laudos periciais apontaram suicídio. Após sua prisão e morte, a PF afirma que a família passou a enfrentar dificuldades financeiras. Nesse contexto, Joana iniciou contatos com pessoas ligadas aos Vorcaro para cobrar apoio.
Em uma das mensagens interceptadas, ela relata dificuldades para quitar compromissos financeiros. "Estou desesperada já", escreveu.
Ameaças contra Henrique Vorcaro
As investigações apontam que, mesmo após receber atenção de interlocutores ligados à família Vorcaro, Joana continuou pressionando os envolvidos. Em 7 de maio de 2026, ela enviou a Manoel Mendes Rodrigues, conhecido como "Manolo", um link sobre a prisão de Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro.
"Já foi o filho, o genro, hoje o sobrinho. No que depender de mim, HV será o próximo. Domingo já coloco tudo no Fantástico e no Cabrini dessa família maldita!!!", escreveu Joana na mensagem. Segundo a Polícia Federal, a sigla "HV" faz referência a Henrique Vorcaro.
O papel de Manolo nas negociações
A PF descreve Manoel Mendes Rodrigues, o "Manolo", como um aliado próximo da família Vorcaro. Os investigadores afirmam que ele integrava o grupo conhecido como "A Turma", apontado como responsável por ameaças, coerções e levantamentos clandestinos.
Após as cobranças feitas por Joana, Manolo passou a intermediar conversas com familiares de Mourão. Em uma das mensagens interceptadas, Keysom Moreira, apontado como primo de Joana, afirmou que "vou na mãe dela, que esta menina é descontrolada."
Posteriormente, Manolo organizou um encontro com Joana e sua mãe, Denise Mourão. "Henrique, boa noite. Estamos conversando com a mãe aqui. Vamos passar os contratos dos ativos pertinentes ao nosso amigo para o nome dela, mãe, para resolver a questão", escreveu Manolo em uma mensagem enviada a Henrique Oscaro. Horas depois, informou: "saí agora, amanhã conversamos."
Suspeita de lavagem de dinheiro
A investigação também analisa uma possível ligação entre as negociações e um suposto esquema de lavagem de dinheiro.
Em 12 de maio, Joana enviou nova mensagem a Manolo perguntando sobre a formalização de um contrato. "Bom dia! Como vc está?! Tudo certo?! Que dia posso assinar o contrato, sabe se já está pronto?! Me liga qdo puder por favor?", diz a mensagem, de acordo com a PF.
Segundo a PF, a mensagem pode estar relacionada à participação de Joana na empresa JM Consultoria e Participações Imobiliária Ltda. Os investigadores verificaram junto à Receita Federal que Joana figura como sócia-administradora da companhia, que possui capital social de R$ 1 milhão.
Até o momento, não há confirmação de que o contrato citado tenha sido formalizado. Ainda assim, a Polícia Federal avalia se recursos supostamente obtidos por Mourão como contrapartida por crimes atribuídos a ele teriam sido transferidos para familiares.
Quem era Sicário
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão era apontado pela Polícia Federal como braço direito de Daniel Vorcaro Além das suspeitas investigadas na Operação Compliance Zero, ele possuía antecedentes por estelionato, receptação, uso de documento falso e ameaça. Após ser preso em março de 2026, foi hospitalizado e teve a morte cerebral confirmada dias depois.
Prisões ampliam alcance da Operação Compliance Zero
As investigações também atingiram Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro. Ele foi preso durante a sexta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em maio deste ano. Segundo a Polícia Federal, Henrique Vorcaro é suspeito de coordenar ações atribuídas aos grupos conhecidos como "A Turma" e "Os Meninos".
A operação também resultou na prisão do policial federal Anderson Wander da Silva Lima. De acordo com os investigadores, ele teria acessado bases de dados sigilosas para fornecer informações sobre passaportes, viagens internacionais e movimentações migratórias de pessoas monitoradas pela organização.
A Polícia Federal afirma que essas informações eram utilizadas para perseguir adversários e proteger interesses financeiros do grupo investigado. As apurações também apontam tentativas de destruição de provas após fases anteriores da operação.



