Governo sinaliza que não vai recuar na proposta do fim da escala 6x1
Planalto mantém pressão por projeto próprio enquanto aguarda parecer de relator da PEC antes de decidir estratégia
247 - O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu adotar cautela na discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1 e condicionou qualquer recuo na tramitação de seu projeto de lei à análise do relatório da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do tema na Câmara dos Deputados. As informações são da coluna de Igor Gadelha, do portal Metrópoles.
Segundo o líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta, o Palácio do Planalto pretende manter o regime de urgência do projeto enviado pelo Executivo até conhecer o parecer do relator da PEC, o deputado Léo Prates. A estratégia busca preservar margem de manobra política diante das possíveis mudanças no texto em discussão no Legislativo.
A avaliação interna é de que o governo só aceitará retirar a urgência do projeto — abrindo mão de sua própria proposta — caso o conteúdo do relatório seja considerado satisfatório. Caso contrário, a tendência é insistir na votação do projeto de lei como alternativa para avançar com a pauta.
A PEC que trata do fim da escala 6×1 tramita em uma comissão especial criada na Câmara. O colegiado será presidido pelo deputado Alencar Santana, enquanto o relatório ficará sob responsabilidade de Prates, escolha anunciada pelo presidente da Casa, Hugo Motta.
Nos bastidores, a articulação política também envolve o calendário legislativo. A intenção de Motta é levar a proposta ao plenário ainda em maio, antes do vencimento do prazo de urgência do projeto do governo. Esse prazo se encerra no dia 30 de maio e, caso não haja votação até lá, o projeto passa a trancar a pauta da Câmara, dificultando a apreciação de outras matérias.
Esse cenário poderia colocar o governo em uma posição delicada, já que seria necessário retirar a urgência para destravar a pauta — movimento que o Planalto pretende evitar sem garantias sobre o conteúdo da PEC.
O relator da proposta, Léo Prates, tem trajetória política ligada ao ex-prefeito de Salvador ACM Neto. Ambos mantêm relação próxima desde a juventude, e Prates ocupou cargos relevantes durante a gestão de Neto na capital baiana, como a presidência da Câmara Municipal e a Secretaria de Saúde.
A discussão sobre o fim da escala 6×1 — modelo em que o trabalhador atua por seis dias consecutivos com um de descanso — ganhou força no Congresso e mobiliza diferentes setores. O desfecho dependerá da convergência entre Executivo e Legislativo, em meio a disputas políticas e negociações sobre o texto final.


