Flávio Bolsonaro avança em negociações com PP e União Brasil
Partidos indicam apoio ao pré-candidato e defendem discurso moderado
247 - O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) intensificou as articulações políticas para consolidar uma aliança com partidos do centrão, especialmente a federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, informa a Folha de São Paulo. A sinalização positiva dessas siglas está condicionada à continuidade de um discurso mais “moderado’, movimento considerado estratégico para ampliar sua base eleitoral.
Segundo os dirigentes envolvidos nas negociações, a adesão depende diretamente da postura política de Flávio Bolsonaro ao longo das próximas semanas.
O presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), afirmou que o apoio está próximo, mas depende da manutenção do tom adotado pelo pré-candidato. “Hoje, só depende de Flávio. Se ele continuar essa pessoa equilibrada, falando para o centro, para o Brasil virar a página dessa disputa, ele vai ter nosso apoio. Se virar um candidato de extrema direita, que acho que não vai acontecer, [ele não terá]… Ele tem tudo para receber nosso apoio”, declarou.
Na mesma linha, o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, destacou que a tendência é favorável à aliança, desde que o senador mantenha um perfil conciliador. “A tendência é essa. Se Flávio for um nome para unir o Brasil, não teremos dificuldades”, afirmou.
A exigência de moderação reflete a disputa interna na direita por protagonismo político. Partidos do centrão buscam ampliar sua influência e reduzir o espaço de correntes mais radicais, priorizando candidaturas com maior capacidade de diálogo e alcance eleitoral.
De acordo com interlocutores das siglas envolvidas, as negociações avançam em ritmo frequente e incluem tratativas sobre candidaturas em diversos estados. A expectativa é que um eventual acordo seja formalizado até o fim de maio, prazo considerado necessário para resolver pendências regionais e avaliar a viabilidade eleitoral do senador.
Aliados de Flávio Bolsonaro avaliam que o crescimento nas pesquisas pode acelerar a consolidação da aliança. O grupo cita resultados recentes que indicam desempenho competitivo do senador, o que tende a atrair partidos interessados em compor uma eventual base de governo.
A estratégia de campanha tem sido marcada por mudanças em relação ao histórico político do grupo. O senador tem adotado um discurso mais moderado, reduzindo ênfases em pautas religiosas e temas sensíveis, além de fazer acenos ao eleitorado feminino e evitar confrontos diretos. Essa postura tem facilitado a interlocução com diferentes forças políticas.
Uma aliança com União Brasil e PP é considerada estratégica não apenas do ponto de vista político, mas também eleitoral. Juntas, as duas siglas somam 98 deputados federais, o que impacta diretamente o tempo de propaganda no rádio e na televisão — um dos principais ativos em campanhas presidenciais.
Estimativas apontam que, caso o acordo seja concretizado, Flávio Bolsonaro poderá ampliar significativamente seu tempo de exposição, reduzindo a vantagem de adversários nesse quesito. A distribuição oficial será definida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com base principalmente no tamanho das bancadas na Câmara.
Apesar dos avanços, o senador ainda enfrenta dificuldades em ampliar o diálogo com outras legendas do centrão. Tentativas de aproximação com Republicanos e PSD não avançaram, e a possibilidade de apoio dessas siglas, por ora, permanece incerta. No caso do PSD, liderado por Ronaldo Caiado, as conversas não resultaram em acordo, deixando uma eventual aliança para um possível segundo turno.


