Financiamento de filme sobre Jair Bolsonaro vira alvo no TCU
Ministério Público pede apuração sobre origem dos recursos; pedido aponta possível uso indireto de recursos públicos e aportes ligados ao Banco Master
247 - O subprocurador-geral do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), Lucas Rocha Furtado, apresentou nesta sexta-feira (15) uma representação solicitando a investigação do financiamento do filme Dark Horse, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo a coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo., o pedido encaminhado ao TCU aponta possíveis irregularidades envolvendo o uso indireto de recursos públicos, aportes financeiros ligados ao Banco Master e eventual ocultação da origem dos valores destinados ao longa-metragem.
A representação também solicita diligências em diferentes órgãos federais para esclarecer a movimentação financeira relacionada ao projeto.
Repasses milionários entram na mira do TCU
Segundo o documento apresentado por Lucas Rocha Furtado, reportagens recentes revelaram diálogos entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro sobre investimentos milionários destinados à produção cinematográfica.
O acordo previa aportes de R$ 124 milhões para o projeto. Desse total, R$ 61 milhões já teriam sido transferidos por meio da empresa Entre Investimentos, conforme revelou reportagem publicada pelo The Intercept Brasil.
O subprocurador afirma que as versões apresentadas publicamente pelos envolvidos no caso apresentam contradições.
Mudança de versão sobre origem dos recursos
A representação lembra que a produtora Go Up Entertainment e o deputado federal Mário Frias (PL) negaram inicialmente qualquer participação financeira de Daniel Vorcaro no filme.
Posteriormente, porém, Frias afirmou que os recursos utilizados na produção não teriam vindo diretamente do Banco Master, mas de uma empresa juridicamente distinta da instituição financeira.
Coaf e Polícia Federal são mencionados
O documento também cita informações atribuídas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), segundo as quais a Entre Investimentos recebeu R$ 160 milhões provenientes de fundos ligados ao Banco Master.
Parte desses recursos, de acordo com a representação, teria origem em fundos relacionados a operações investigadas pela Polícia Federal por suspeita de lavagem de dinheiro.
No pedido enviado ao TCU, Lucas Rocha Furtado sustenta que o caso ultrapassa uma relação estritamente privada. Isso porque o Banco Master teria ampliado sua atuação financeira com forte apoio de recursos públicos, incluindo operações envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e investimentos de regimes próprios de previdência social.
Produtora teria recebido verbas públicas
A representação também menciona reportagem segundo a qual a Go Up Entertainment integra uma estrutura empresarial ligada à empresária Karina Gama.
Segundo o documento, empresas vinculadas ao grupo teriam recebido ao menos R$ 110,8 milhões em verbas públicas, incluindo contratos com a Prefeitura de São Paulo e emendas parlamentares.
Órgãos federais poderão ser acionados
Na peça enviada ao Tribunal de Contas da União, o Ministério Público junto ao TCU solicita investigação sobre possíveis incentivos fiscais utilizados na produção do filme, eventual uso de emendas parlamentares, aportes realizados por empresas ligadas ao Banco Master e mecanismos que possam ter sido empregados para ocultar a origem dos recursos.
Além disso, o subprocurador pede diligências junto à Receita Federal, à Agência Nacional do Cinema (Ancine), ao Banco Central, à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e ao Coaf para aprofundar a apuração do caso.



