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Aliados do PL projetam retirada de Eduardo Bolsonaro da chapa ao Senado em SP antes da campanha

Presidente da Alesp, André do Prado nega mudança na chapa e afirma que ex-deputado bolsonarista seguirá como suplente "até o final"

Eduardo Bolsonaro (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)
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247 - A permanência de Eduardo Bolsonaro (PL) como suplente na chapa de André do Prado (PL) ao Senado por São Paulo passou a ser questionada por aliados do partido diante do risco jurídico enfrentado pelo ex-deputado. Segundo o jornal O Globo, articuladores políticos da candidatura avaliam que a substituição pode ocorrer antes do início oficial da campanha eleitoral.

Duas fontes ligadas às negociações afirmaram, sob reserva, que a alteração deverá ocorrer no período das convenções partidárias. A preocupação central envolve a situação judicial de Eduardo Bolsonaro, que responde a uma ação penal por coação no curso do processo criminal contra Jair Bolsonaro (PL).

Interlocutores do partido avaliam que uma eventual condenação ainda neste ano pode levar ao enquadramento do ex-deputado na Lei da Ficha Limpa. O temor é que a permanência de Eduardo na chapa até a eleição provoque a anulação dos votos recebidos por André do Prado, favorecendo adversários ligados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em declaração, André do Prado negou qualquer possibilidade de mudança e afirmou que Eduardo Bolsonaro permanecerá na chapa "até o final". O presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) tem usado a presença do ex-deputado como instrumento para reduzir resistências do bolsonarismo à sua candidatura.

Risco jurídico

Especialistas em direito eleitoral afirmam que a regularidade de titulares e suplentes é analisada conjuntamente pela Justiça Eleitoral. Dessa forma, o indeferimento ou a cassação do registro de um integrante da chapa pode atingir os demais candidatos. A legislação prevê substituições até 20 dias antes do primeiro turno.

Nesta semana, a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou alegações finais na ação penal relatada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O órgão pede a condenação de Eduardo Bolsonaro sob a acusação de tentativa de constranger ministros da Corte e interferir no julgamento de Jair Bolsonaro.

Segundo a denúncia, a atuação teria ocorrido por meio de sanções aplicadas pelo governo estadunidense contra autoridades brasileiras, incluindo suspensão de vistos e tarifas sobre exportações brasileiras. Eduardo Bolsonaro negou irregularidades e classificou as suspeitas investigadas pela Polícia Federal como "toscas".

A reportagem também informa que o PL estuda apresentar uma consulta ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para obter um indicativo sobre a situação jurídica do ex-deputado. Outro fator que ampliou a pressão sobre Eduardo Bolsonaro envolve os diálogos divulgados entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A Polícia Federal apura se recursos destinados ao filme "Dark Horse" poderiam ter sido utilizados para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

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