HOME > Brasil

Estados Unidos instauram nova ordem colonial na América Latina, diz Lindbergh

Líder do PT na Câmara denuncia sequestro de Maduro, classifica ofensiva como agressão imperialista e cobra reação imediata da comunidade internacional

O deputado federal Lindbergh Farias - 09/07/2025 (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)

247 – Na condição de líder da Bancada Federal do PT, o deputado Lindbergh Farias divulgou uma nota em que denuncia o que considera uma “gravíssima e covarde agressão à soberania” da Venezuela — e, por extensão, de toda a América Latina. Segundo ele, uma ação realizada na madrugada, “enquanto Caracas dormia”, teria sequestrado o presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama do país, em um ataque que, na avaliação do parlamentar, inaugura uma conjuntura de extrema gravidade para o continente.

Lindbergh afirma que o episódio representa “a primeira cena do primeiro ato” de uma escalada maior, com início imediato de uma tentativa de golpe de Estado contra o governo bolivariano. Ele sustenta que, embora Maduro tenha sido capturado, o governo venezuelano e as Forças Armadas permanecem de pé, e destaca que o sinal da Telesur continua transmitindo informações ao mundo.

Em tom duro, o líder petista acusa diretamente o presidente Donald Trump de conduzir uma ofensiva de caráter “imperialista”, voltada a instaurar uma nova ordem colonial sobre os países latino-americanos. Lindbergh sustenta que essa estratégia estaria documentada no mais recente texto de segurança nacional dos Estados Unidos — a National Security Strategy of the United States of America (Novembro/2025) —, cuja diretriz, segundo ele, seria aplicar no continente um “Corolário Trump da Doutrina Monroe”.

Para o deputado, Trump busca reviver os tempos históricos da chamada “diplomacia das canhoneiras”, período que vai do final do século XIX até a década de 1930, quando os Estados Unidos recorreram abertamente à força para impor sua influência na região. Na avaliação dele, a ação contra a Venezuela teria um objetivo econômico explícito: explorar as riquezas naturais e o petróleo venezuelano.

O parlamentar adverte que, caso não haja “firme repúdio e resistência ativa” diante do que chamou de acontecimentos desta madrugada, a Venezuela será apenas o primeiro capítulo de uma ofensiva mais ampla. Ele compara o cenário ao conceito do Big Stick (“Grande Porrete”), mas afirma que, em 2026, já não haveria sequer a aparência diplomática do passado.

“Neste começo de 2026, acabou-se o tempo da ‘fala suave’. Restou apenas ‘o grande porrete’”, escreveu.

Lindbergh também ressalta que o Brasil, por ser vizinho, é diretamente afetado pela escalada e que o impacto geopolítico dos acontecimentos é imediato. Ele declara apoio integral ao princípio da soberania da Venezuela e afirma que a solidariedade latino-americana não admite invasões a territórios soberanos no continente.

Ao classificar a operação como “flagrantemente ilegal” perante o direito internacional, o deputado cita uma declaração do presidente Lula que teria condenado o ataque e a captura do presidente venezuelano.

“Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, afirmou Lula, segundo Lindbergh.

No encerramento da nota, o líder do PT na Câmara afirma que aguarda uma reação “pronta e firme” dos organismos internacionais e da comunidade global diante do que considera uma escalada gravíssima contra a Venezuela e contra toda a América Latina.

Artigos Relacionados