HOME > Brasil

Em novo ataque à soberania, clã Bolsonaro pressiona Trump a classificar facções como terroristas

Proposta levanta temor de intervenção externa e sanções ao Brasil, além do risco de interferência nas eleições brasileiras

Donald Trump, Flávio e Eduardo Bolsonaro (Foto: Daniel Torok/Casa Branca I Agência Brasil I Reuters)

247 - O governo dos Estados Unidos avalia classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, em meio a articulações políticas que envolvem aliados e integrantes do clã Bolsonaro. A medida, ainda em discussão no Departamento de Estado, ocorre em um cenário de crescente preocupação com a segurança pública no Brasil.

Segundo reportagem do The New York Times, autoridades americanas e brasileiras confirmam que o tema ganhou força nas últimas semanas após pressões atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, e ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, filhos de Jair Bolsonaro (PL), aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“O governo [do presidente Donald ] Trump está considerando designar as duas maiores facções criminosas do narcotráfico brasileiro como grupos terroristas, após pressão de dois filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado do presidente Trump e atualmente preso”, destaca o jornal estadunidense.

Discussão no governo Trump e repercussões

A eventual classificação permitiria aos Estados Unidos impor sanções financeiras contra os grupos e seus associados. Apesar disso, fontes indicam que PCC e CV não têm papel central no tráfico de drogas para o território estadunidense, concentrando suas operações principalmente na Europa e em outras regiões.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, comunicou ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que o governo Trump considera a medida. Ainda segundo fontes, Rubio sugeriu que o Brasil adotasse classificação semelhante, proposta que foi rejeitada pelo governo brasileiro.

O Departamento de Estado não confirmou oficialmente a decisão, mas afirmou que as facções representam “ameaças significativas à segurança regional devido ao seu envolvimento com o narcotráfico, a violência e o crime transnacional”.

Atuação bolsonarista nos EUA

Nos bastidores, aliados próximos de Jair Bolsonaro vêm atuando para convencer autoridades estadunidenses de que as facções brasileiras representam risco aos interesses dos Estados Unidos. Flávio Bolsonaro chegou a viajar a Washington no ano passado, acompanhado de Eduardo Bolsonaro, para reuniões com integrantes da Casa Branca e do Departamento de Estado.

Durante esses encontros, foi apresentado um relatório sobre as atividades das organizações criminosas, incluindo informações sobre suposto tráfico de armas e lavagem de dinheiro.

Em declarações anteriores, Flávio Bolsonaro afirmou que não defende interferência externa, mas apoia a cooperação internacional. Segundo ele, é “favorável à cooperação internacional” no combate ao narcotráfico.

Preocupações do governo brasileiro

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acompanha o tema com cautela. Há receio de que a classificação possa afetar bancos brasileiros, caso instituições financeiras sejam atingidas por sanções relacionadas a operações indiretas com integrantes das facções.

Além disso, autoridades temem que a medida abra precedentes para ações unilaterais dos Estados Unidos em território brasileiro, o que poderia impactar a soberania nacional e as relações diplomáticas entre os países.

Apesar disso, interlocutores indicam que Lula tem buscado diálogo com o governo Trump sobre o combate ao crime organizado, incluindo iniciativas contra lavagem de dinheiro e tráfico de armas.

Atualmente, o Brasil não classifica o narcotráfico como terrorismo e segue as diretrizes do Conselho de Segurança da ONU. Uma eventual mudança nessa política representaria uma inflexão significativa na postura do país diante do crime organizado e das relações internacionais.

Artigos Relacionados