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Dinheiro ligado a Vorcaro financiou mais de 90% do filme sobre Jair Bolsonaro

Segundo a produtora, filme custou US$ 13 milhões e segue em pós-produção, senador Flávio Bolsonaro disse que banqueiro investiu mais de US$ 12 milhões

Dinheiro ligado a Vorcaro financiou mais de 90% do filme sobre Jair Bolsonaro (Foto: Brasil 247)
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247 - A produtora Karina Ferreira da Gama, dona da GoUp e responsável pelo filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória de Jair Bolsonaro (PL), afirmou que mais de 90% do orçamento da produção foi viabilizado por recursos ligados ao banqueiro  Daniel Vorcaro. As declarações, segundo G1, foram dadas em entrevista à TV Globo e à GloboNews.

Em entrevistas anteriores, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, já havia admitido que Vorcaro investiu pouco mais de US$ 12 milhões no longa-metragem. O valor representa cerca de 92% do orçamento atual do filme, estimado em US$ 13 milhões.

A produtora Karina Ferreira da Gama, dona da GoUp e responsável pelo filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmou em entrevista exclusiva à TV Globo e à GloboNews que o projeto está em fase de pós-produção e ainda necessita de recursos complementares.”

Prisão de Vorcaro levou equipe a buscar novos apoiadores

Karina Ferreira afirmou que a prisão do banqueiro ocorreu enquanto as gravações ainda estavam em andamento, o que obrigou a equipe a procurar novos apoiadores para manter o projeto funcionando.

“Quando ele [Vorcaro] foi preso, a gente já estava filmando. Eu tinha folha de pagamento para pagar, eu já tinha profissionais para pagar. E nenhum deles sentiu o impacto porque todo mundo arregaçou as mangas. ‘Gente, vamos ver onde a gente ajuda, quem pode apoiar’. Nossa vida todo dia era falar com pessoas da iniciativa privada que pudessem apoiar o nosso projeto”, declarou.

Segundo a produtora, Daniel Vorcaro não atuou diretamente como investidor do longa, mas como intermediador dos recursos. A declaração, porém, contrasta com falas anteriores de Flávio Bolsonaro, que já havia classificado o banqueiro como investidor e patrocinador de “Dark Horse”.

Karina afirmou ainda que Flávio Bolsonaro apresentou Vorcaro ao projeto em 2024, quando, segundo ela, “não havia nenhuma informação contra Vorcaro”.

PF investiga origem dos recursos do longa

A Polícia Federal investiga a origem dos recursos utilizados na produção do filme sobre Jair Bolsonaro. Segundo as apurações, a empresa Entre Investimentos e Participações, ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, aparece como fonte do dinheiro destinado ao projeto.

Apesar disso, Karina Ferreira negou que a GoUp tenha recebido valores diretamente de Vorcaro ou de empresas vinculadas a ele.

Segundo a produtora, os recursos chegaram ao filme por meio do fundo Heavengate, sediado nos Estados Unidos e administrado pelo advogado Paulo Calixto, aliado do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro.

Todas as cenas do longa, de acordo com Karina, foram gravadas no Brasil. A última filmagem ocorreu em 8 de dezembro de 2025, cerca de 21 dias após a primeira prisão de Vorcaro.

Emendas Pix financiaram outro projeto da produtora

Além do filme “Dark Horse”, Karina Ferreira revelou que outra empresa de sua propriedade, a Academia Nacional de Cultura, recebeu R$ 2,4 milhões em emendas Pix para a produção da série documental “Heróis Nacionais - Filhos do Brasil que não se rendem”. O projeto previa retratar personagens históricos brasileiros, como José de Anchieta e Dom Pedro I.

Segundo a produtora, os recursos foram destinados por parlamentares aliados de Jair Bolsonaro: Marcos Pollon (PL-MS), responsável por R$ 1 milhão; Bia Kicis (PL-DF), com R$ 150 mil; Alexandre Ramagem (PL-RJ), com R$ 500 mil; e Carla Zambelli (PL-SP), com R$ 750 mil.

Karina afirmou que a série acabou não saindo do papel após o bloqueio da emenda vinculada a Carla Zambelli. Segundo ela, a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), inviabilizou financeiramente o projeto por falta de cumprimento das exigências estabelecidas para a liberação das chamadas emendas Pix.

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