Dilma lamenta morte do ex-comandante da Marinha Julio Soares de Moura Neto
Ex-presidente destaca legado do almirante, que comandou a força naval entre 2007 e 2015 e esteve à frente de projetos estratégicos
247 - A ex-presidente do Brasil e atual presidente do Banco dos Brics, Dilma Rousseff, lamentou nesta quarta-feira (11) a morte do Almirante de Esquadra (Reserva) Julio Soares de Moura Neto, ex-comandante da Marinha. Em publicação nas redes sociais, Dilma ressaltou a trajetória do militar, que ocupou o comando da força durante seu governo e teve atuação destacada em projetos considerados estratégicos para a defesa nacional.
A homenagem foi divulgada após a confirmação do falecimento do almirante, noticiado pela Agência Marinha de Notícias, que também apresentou um balanço da carreira e das contribuições de Moura Neto ao longo de mais de cinco décadas de serviço.
“Recebo com grande pesar a notícia do falecimento do Almirante de Esquadra Julio Soares de Moura Neto, um dos principais líderes navais do país, referência para seus colegas e comandados por cinco décadas de uma carreira exemplar”, escreveu Dilma. A ex-presidente afirmou ainda que ele “conduziu alguns dos grandes avanços da força naval” e pautou sua atuação pela defesa da soberania nacional.
Entre os pontos destacados por Dilma, estão a liderança no programa de desenvolvimento de submarinos, a participação no projeto do primeiro submarino brasileiro de propulsão nuclear, a criação do conceito da Amazônia Azul e a ampliação da presença de mulheres na Marinha. “Moura Neto foi comandante da Marinha durante o meu governo e conduziu alguns dos grandes avanços da força naval”, acrescentou.
Carreira de mais de 50 anos na Marinha
Nascido em 20 de março de 1943, no Rio de Janeiro, Julio Soares de Moura Neto ingressou na Escola Naval e foi declarado Guarda-Marinha em 15 de agosto de 1964. Ao longo da carreira, avançou por todas as patentes até alcançar o posto de Almirante de Esquadra em 31 de março de 2003.
Antes de assumir o comando máximo da Marinha, ocupou cargos considerados centrais na estrutura naval brasileira. Entre as funções exercidas como oficial-general, estiveram as de Secretário da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar; Comandante do 6º Distrito Naval; Comandante da 1ª Divisão da Esquadra; Comandante do Centro de Instrução Almirante Alexandrino; Diretor de Hidrografia e Navegação; Diretor-Geral do Pessoal da Marinha; Diretor-Geral de Navegação; Comandante de Operações Navais; e Chefe do Estado-Maior da Armada.
Comando da Marinha e projetos estratégicos
Moura Neto assumiu o cargo de Comandante da Marinha em 2007, permanecendo na função até 2015. O período foi marcado por iniciativas voltadas ao fortalecimento institucional e estratégico da força, com destaque para a consolidação do conceito de Amazônia Azul e projetos ligados à proteção das riquezas marítimas do país.
Durante sua gestão, avançaram ações como o Programa de Desenvolvimento de Submarinos, voltado à construção de submarinos convencionais e ao desenvolvimento do submarino brasileiro de propulsão nuclear. Também houve impulso ao Programa Nuclear da Marinha, além de projetos para recuperação da capacidade operacional da Esquadra e a criação de sistemas de monitoramento da Amazônia Azul.
O almirante também esteve associado ao fortalecimento da presença brasileira em operações internacionais e à ampliação da participação feminina na carreira naval. Outro ponto destacado foi o reforço da capacidade expedicionária dos Fuzileiros Navais em missões de paz.
Atuação após deixar o comando
Após deixar o Comando da Marinha, Moura Neto manteve atuação voltada aos interesses marítimos nacionais. Como Coordenador Executivo do Centro de Excelência para o Mar Brasileiro (Cembra), liderou projetos para estimular a mentalidade marítima e o desenvolvimento sustentável do mar brasileiro.
Entre as iniciativas citadas estão a organização e divulgação da terceira edição do livro “O Brasil e o Mar no Século XXI”, além da realização de webinários sobre temas estratégicos, coordenação de projetos de ciência, tecnologia e inovação, concursos educacionais e parcerias com universidades e instituições de pesquisa.
Ao longo da trajetória, o militar defendeu de forma recorrente a centralidade do mar para o futuro do país. Em uma reflexão sobre o tema, afirmou: “A nossa história sempre foi ligada ao mar. Nós fomos descobertos pelo mar; fomos invadidos pelo mar por países que queriam os nossos recursos; a nossa independência foi consolidada pelo mar. O Brasil possui características geográficas, econômicas e ambientais que tornam inquestionável a sua vocação marítima".


