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"Delação é meio de defesa", diz novo advogado de Daniel Vorcaro

Juca Oliveira assumiu a defesa do dono do Banco Master nesta sexta (13) e não descartou acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal

Advogado José Luis Oliveira Lima não descarta acordo de delação entre Daniel Vorcaro e a PF (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)

247 - O advogado José Luis Oliveira Lima, conhecido no meio jurídico como Juca, confirmou nesta sexta-feira (13) que assumiu a defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso no âmbito das investigações da Polícia Federal sobre um suposto esquema de fraudes financeiras. Em sua primeira manifestação após assumir o caso, Juca abriu caminho para a possibilidade de um acordo de delação premiada, classificando o instrumento como legítimo dentro de uma estratégia de defesa.

A informação foi divulgada pela coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles. Ao ser questionado sobre a possibilidade de Vorcaro fechar um acordo de colaboração com as autoridades, o advogado foi econômico, mas revelador. "Assumi o caso hoje. Ponto", respondeu Oliveira em um primeiro momento. Diante da insistência sobre o tema, o defensor lembrou seu histórico de posicionamentos públicos sobre o assunto e reafirmou sua visão: a delação premiada é, a seu ver, um "meio de defesa" — e não uma concessão ou capitulação do investigado.

Advogado com histórico na Lava Jato

A escolha de Juca Oliveira para conduzir a defesa de Vorcaro não passou despercebida no ambiente jurídico. O advogado tem um currículo que inclui alguns dos casos mais emblemáticos da Operação Lava Jato, entre eles a delação premiada do empreiteiro Léo Pinheiro, ex-dono da construtora OAS. Mais recentemente, Juca assumiu a defesa do general da reserva e ex-ministro Braga Netto, que acabou condenado junto ao ex-presidente Jair Bolsonaro no inquérito que investigou a tentativa de golpe de Estado.

O perfil do novo defensor reforça a leitura de que a estratégia jurídica de Vorcaro pode estar prestes a mudar de direção — saindo de uma postura mais confrontacional para uma abordagem colaborativa com as investigações.

Caso Banco Master e as suspeitas da PF

As investigações da Polícia Federal sobre o Banco Master acumularam um volume expressivo de indícios ao longo das apurações. O material reunido pelos agentes aponta para possíveis irregularidades na atuação da instituição financeira, com potencial de causar um prejuízo estimado em até R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) — organismo responsável por ressarcir investidores em situações de colapso bancário.

Vorcaro já havia sido alvo de uma ordem de prisão anteriormente, quando obteve liberdade provisória mediante uso de tornozeleira eletrônica. O novo mandado de prisão foi fundamentado em mensagens recuperadas do celular do banqueiro, apreendido na primeira fase da Operação Compliance Zero. O conteúdo das conversas, segundo os investigadores, indicaria ameaças direcionadas a jornalistas e a pessoas que teriam contrariado interesses do empresário.

Ameaças, conta oculta e acesso a sistemas sigilosos

Entre os episódios detalhados nas apurações, a PF afirma que Vorcaro teria ameaçado o jornalista Lauro Jardim e uma empregada doméstica. Há ainda a suspeita de que o banqueiro teria ocultado mais de R$ 2,2 bilhões em uma conta registrada em nome de seu pai, Henrique Moura Vorcaro. As investigações apontam ainda que o empresário teria acessado de forma indevida sistemas de diversas instituições, incluindo a própria Polícia Federal, o Ministério Público Federal, o FBI e a Interpol.

Posição da defesa de Vorcaro

Em nota divulgada por sua assessoria antes da troca de advogado, Vorcaro rejeitou as interpretações da PF sobre as mensagens apreendidas. O empresário declarou que "jamais teve intenção de intimidar ou ameaçar jornalistas e que suas mensagens foram tiradas de contexto", acrescentando: "Sempre respeitei o trabalho da imprensa e, ao longo de minha trajetória empresarial, mantive relacionamento institucional com diversos veículos e jornalistas."

Sobre as conversas de tom mais agressivo citadas nas investigações, o banqueiro as atribuiu a episódios isolados de irritação pessoal. "Não me lembro de minhas conversas por telefone, mas, se em algum momento me exaltei em mensagens no passado, o fiz em tom de desabafo, em privado, sem qualquer objetivo de intimidar quem quer que seja. Jamais determinei ou determinaria agressões ou qualquer espécie de violência", afirmou Vorcaro.

Com Juca Oliveira agora à frente da defesa e o histórico do advogado com acordos de colaboração premiada, o desenrolar do caso Banco Master entra em uma nova fase — cujos contornos ainda estão por ser definidos nas negociações com as autoridades.

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