Condenação de irmãos Brazão por caso Marielle repercute na imprensa internacional
Veículos destacam penas de 76 anos e aponta impacto político e institucional da decisão do STF
247 - A condenação dos irmãos Chiquinho e Domingos Brazão pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes repercutiu amplamente na imprensa internacional nesta quarta-feira (25). A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) fixou penas de 76 anos e 3 meses de prisão para ambos, por planejar e mandar executar o crime ocorrido em março de 2018, no Rio de Janeiro.
Veículos de comunicação de diferentes países destacaram o desfecho judicial de um dos casos criminais de maior repercussão no Brasil nos últimos anos, enfatizando tanto o simbolismo político da sentença quanto seus desdobramentos institucionais.
O jornal norte-americano The New York Times classificou a decisão como o encerramento de um processo que mobilizou manifestações e cobranças por esclarecimentos. Segundo o periódico, “a decisão do Supremo Tribunal Federal do Brasil foi o desfecho de um caso que gerou protestos e pedidos de respostas sobre o assassinato da Sra. Franco, que defendia comunidades marginalizadas e criticava a impunidade que há muito protege a polícia, políticos e outras figuras poderosas no Brasil”.
A agência britânica Reuters ressaltou a duração do processo judicial e o alcance da sentença. Para a agência, “a decisão encerra um processo de oito anos para levar à justiça os responsáveis pelo assassinato de Franco, um crime de grande repercussão, em um país onde assassinatos frequentemente ficam impunes”. A reportagem também registrou que “os irmãos Brazão, que estavam entre os políticos mais poderosos do Rio de Janeiro, ganharam milhões de dólares com um esquema que se apropriou de terras públicas na zona oeste da cidade para projetos imobiliários privados”.
Na Argentina, o jornal Clarín deu destaque ao voto da ministra Cármen Lúcia, que apontou a atuação dos condenados em atividades criminosas ligadas à ocupação de terras. De acordo com o periódico, a magistrada afirmou que “Chiquinho Brazão, ex-deputado federal, e seu irmão Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio, ‘lideraram’ uma organização armada criminosa dedicada à ocupação e exploração ilegal de terras em comunidades pobres da zona oeste do Rio”.
O britânico The Guardian enfatizou a dimensão institucional do caso. O jornal escreveu que “o caso também é amplamente visto por especialistas em segurança e ativistas de direitos humanos como um exemplo alarmante de como os laços entre política, crime e polícia estão profundamente enraizados no Rio, atingindo até mesmo os mais altos escalões da administração pública”.


