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Condenações não apagam dor mas aliviam angústia, afirma Mônica Benicio, viúva de Marielle

Vereadora afirma que decisão do STF traz alívio após oito anos e cobra avanço das investigações

Monica Benicio (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

247 - A vereadora Monica Benicio (Psol-RJ) afirmou nesta quarta-feira (25) que a condenação dos irmãos Domingos Brazão e Chiquinho Brazão pelo assassinato de Marielle Franco representa um alívio após quase oito anos de espera por Justiça. A declaração ocorreu depois de a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) reconhecer que os dois foram os mandantes do crime ocorrido em março de 2018.

Os magistrados condenaram os irmãos por duplo homicídio qualificado — pelas mortes de Marielle e do motorista Anderson Gomes —, tentativa de homicídio contra a ex-assessora Fernanda Chaves e organização criminosa.

Em nota, Monica Benicio declarou: “as condenações não apagam a nossa dor, mas, de certa forma, aliviam a angústia que sentimos por oito longos anos em que buscamos respostas e a penalização dos criminosos responsáveis por esse horror”.

Marielle e Anderson foram mortos a tiros na noite de 14 de março de 2018. Os ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, responsáveis pelos disparos, confessaram participação e firmaram acordos de colaboração premiada na investigação conduzida pela Polícia Federal, contribuindo para a identificação dos mandantes.

Benicio classificou o resultado do julgamento como uma vitória institucional. “A penalização de Domingos e Chiquinho Brazão por serem os mandantes dos assassinatos de Marielle e Anderson, e da tentativa de homicídio de Fernanda Chaves, ex-assessora de Marielle, é uma vitória. Assim como o é a condenação dos irmãos Brazão por organização criminosa armada. Essa é uma demonstração de que o Tribunal entende a gravidade e a profundidade da infiltração do crime no Estado”, afirmou.

Também foram condenados Robson Calixto Fonseca, ex-policial militar e ex-assessor de Domingos Brazão, a nove anos de prisão por organização criminosa, e o ex-major da Polícia Militar do Rio de Janeiro Ronald Paulo Alves Pereira, que recebeu pena de 56 anos pelos homicídios de Marielle e Anderson e pela tentativa de homicídio de Fernanda Chaves.

O delegado e ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro Rivaldo Barbosa foi absolvido das acusações de homicídio, mas condenado por obstrução de Justiça e corrupção passiva, com pena fixada em 18 anos de reclusão.

Em outro trecho da nota, a vereadora afirmou: “hoje foi um dia em que o Brasil aprendeu a necessidade de combater organizações criminosas que estão entranhadas no Estado e nas polícias brasileiras. Esse julgamento é um símbolo do combate a um ecossistema que ainda está em funcionamento e que se revela não apenas na violência política, mas também nos casos de letalidade policial nas favelas, periferias e comunidades vulnerabilizadas”.

Ela também relacionou a decisão ao legado de Marielle Franco. “Marielle lutou pelo fim da violência e pela construção de um Brasil melhor. Fazer Justiça por Marielle é seguir com o seu legado, sonhando que é possível construir um país mais justo, igualitário e de paz, para todas as pessoas — independentemente de classe social, cor, gênero, orientação sexual ou religiosidade. Temos que acreditar na nossa unidade, na nossa força e na nossa capacidade de transformação”, declarou.

Apesar de considerar o julgamento um marco, Benicio lamentou a absolvição de Rivaldo Barbosa pelos homicídios e defendeu a continuidade das investigações. “Como bem disse a ministra Cármen Lúcia, não nos falta certeza dos crimes hoje atribuídos aos réus, mas permanece o receio de estarmos deixando passar outros que as provas se demonstraram frágeis. Por isso precisamos manter a pressão pela continuidade das investigações, principalmente em relação à atuação do Delegado do Crime, Rivaldo Barbosa”, afirmou.

Ela acrescentou: “não restam dúvidas sobre a sua relação com a milícia, da sua atuação para atrapalhar o andamento das investigações e os indícios sobre sua participação na elaboração da morte de minha esposa são robustos. A nova denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República por obstrução de justiça e organização criminosa contra Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior, [o delegado] Giniton Lages e [o policial civil] Marco Antonio de Barros Pinto deve ser levada adiante e precisa servir para desmontar, de forma definitiva, essa engrenagem de poder que opera dentro das próprias instituições encarregadas de investigar e responsabilizar crimes”.

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