Cármen Lúcia reconhece crise no STF diz que não faz “nada de errado”
Declaração ocorre em meio a divisões internas e repercussão do caso Banco Master no Supremo
247 - A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia afirmou que a corte atravessa um momento de tensão institucional, marcado por questionamentos públicos e repercussões de casos recentes, como o envolvendo o Banco Master. Em meio a esse cenário, a magistrada defendeu sua conduta individual, assegurando que suas decisões seguem estritamente a legalidade.
Durante palestra realizada nesta segunda-feira (13) na Fundação FHC, em São Paulo, Cármen Lúcia declarou: “Da minha parte, digo: podem dormir tranquilos. Não há uma linha minha que esteja fora da lei”. A ministra reforçou ainda: “Eu não faço nada errado”, ressaltando, contudo, que não falava em nome de todo o Supremo.
Segundo a ministra, o país vive um ambiente de desconfiança generalizada, o que contribui para a crise enfrentada pelo STF. Nesse contexto, ela destacou a necessidade de maior transparência e comunicação com a sociedade. “O STF precisa mostrar ao povo que estamos ali para servir”, afirmou, ao defender explicações mais claras sobre a atuação dos ministros, inclusive fora de Brasília.
Cármen Lúcia também chamou atenção para o volume elevado de processos que chegam à corte, classificando a rotina do tribunal como marcada pelo excesso de atribuições. Para ela, o momento atual representa uma “agudização de algumas crises” e um período de intenso “questionamento” sobre o papel do Supremo.
A magistrada ainda apontou as mudanças tecnológicas, especialmente o impacto das redes sociais, como um fator que amplia os desafios enfrentados pelo Judiciário. Segundo ela, muitos dos problemas atuais são inéditos e não possuem respostas prontas, o que exige maior reflexão por parte dos magistrados.
Ao comentar a complexidade da gestão do tribunal, Cármen Lúcia destacou as dificuldades enfrentadas pela presidência do STF. “Sei o que é estar na presidência tentando acertar. Não é simples. Não tem facilidade nenhuma”, afirmou. Ela também revelou lidar com críticas severas e relatou uma reflexão pessoal diante dessas situações: “Cármen, lembra, você faz direito, não milagres”.
Nos bastidores, o STF vive um cenário de divisão interna. Ministros como Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin formam um grupo que se contrapõe à condução do presidente da corte, Edson Fachin, especialmente diante das repercussões do caso Master. Em outro polo, estão Cármen Lúcia, o próprio Fachin, além de André Mendonça e Luiz Fux. O ministro Kassio Nunes Marques tem atuado como um ponto de equilíbrio entre os dois grupos.


