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Bolsonaro passará por novo procedimento para conter crises de soluço na segunda

Médicos afirmam que bloqueio do nervo frênico será repetido após cirurgia bem-sucedida realizada em Brasília

Ex-presidente Jair Bolsonaro em casa, em Brasília, durante prisão domiciliar determinada pelo STF 14/08/2025 REUTERS/Adriano Machado (Foto: Reuters)

247 - O ex-presidente Jair Bolsonaro foi submetido, na tarde deste sábado, a um novo procedimento cirúrgico em Brasília como parte do tratamento para conter crises persistentes de soluço. A intervenção integra um conjunto de medidas médicas adotadas após episódios recentes considerados intensos pela equipe responsável.

Segundo os profissionais, a cirurgia realizada neste sábado teve resultado positivo e um procedimento semelhante já está programado para os próximos dias, com previsão de ocorrer na segunda-feira.

De acordo com o cardiologista Brasil Ramos Caiado, Bolsonaro foi submetido ao bloqueio anestésico do nervo frênico, técnica voltada à interrupção de estímulos responsáveis pelas contrações involuntárias do diafragma. “Fizemos o reparo no nervo frênico de um lado, faremos do outro, provavelmente na segunda-feira”, afirmou o médico. Ele explicou que a equipe tentou inicialmente o tratamento clínico com medicamentos, mas a resposta não foi suficiente. “Nossa proposta inicial era usar o tratamento clínico o quanto possível, com medicamentos, mas a resposta não foi a esperada. Ontem, ele teve uma crise forte de soluços”, disse Caiado.

Ainda segundo o cardiologista, a decisão pelo bloqueio anestésico foi tomada após a intensificação dos sintomas. “Optamos pelo bloqueio anestésico do nervo, hoje fizemos do lado direito e na segunda faremos no lado esquerdo”, completou. O médico informou também que Bolsonaro já se encontra em recuperação após o procedimento realizado neste sábado.

O médico-cirurgião Cláudio Birolini afirmou que a expectativa é de que o ex-presidente permaneça internado por pelo menos mais 48 horas após a cirurgia prevista para a segunda-feira, para acompanhamento clínico e controle da dor. Bolsonaro havia passado a madrugada deste sábado com crises de soluço e dificuldade para dormir, conforme relatado por Caiado.

A etapa atual do tratamento ocorre após uma cirurgia realizada na última quinta-feira, quando Bolsonaro foi submetido à correção de uma hérnia inguinal bilateral. O procedimento durou cerca de três horas e meia e marcou o início do atual período de internação. Na sexta-feira, a equipe médica ajustou as medicações para controle dos soluços e para o tratamento da doença do refluxo gastroesofágico.

O boletim médico divulgado naquele dia informou que Bolsonaro iniciou sessões de fisioterapia, passou por otimização da analgesia e recebeu medidas farmacológicas para prevenção de trombose. A internação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, após perícia da Polícia Federal apontar a necessidade da intervenção médica. O ex-presidente deixou a superintendência da PF sob escolta.

A hérnia inguinal bilateral ocorre quando parte do intestino se projeta por áreas enfraquecidas da parede abdominal na região da virilha. A cirurgia tem como objetivo reposicionar o conteúdo abdominal e reforçar a musculatura local, reduzindo o risco de dor e de novas protrusões.

Já o bloqueio do nervo frênico é indicado em casos de soluços persistentes, uma vez que esse nervo é responsável por estimular o diafragma, músculo essencial para a respiração. A técnica busca interromper estímulos neurológicos anormais que provocam contrações involuntárias.

No pós-operatório, Bolsonaro seguirá sob monitoramento contínuo, com controle rigoroso da dor, fisioterapia voltada à mobilização precoce e à melhora da função respiratória, além de medidas preventivas contra eventos trombóticos. A previsão da equipe médica é que o período total de internação varie entre cinco e sete dias, considerando o histórico de cirurgias abdominais e as particularidades do quadro clínico atual.

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