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Banco Genial tem R$ 176 milhões bloqueados em ação fiscal ligada à Operação Carbono Oculto

Procuradoria da Fazenda de SP move cautelar em investigação que apura suposta sonegação, lavagem e uso de fundos em cascata no setor de combustíveis

Agentes da Receita Federal durante ação conjunta da Operação Carbono Oculto, que investiga esquema de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis (Foto: Divulgação/Receita Federal )

247 – Uma ação fiscal cautelar promovida pela Procuradoria da Fazenda do Estado de São Paulo determinou o bloqueio de R$ 176 milhões em recursos ligados ao Banco Genial Investimentos, no âmbito da Operação Carbono Oculto, investigação da Polícia Federal que apura supostos vínculos do crime organizado com a economia formal por meio de estruturas financeiras complexas.

A informação foi publicada pelo Valor Econômico, com base em notícia veiculada inicialmente pelo portal UOL. Segundo a reportagem, a ação está relacionada à cadeia de investigados que envolve empresas do ramo de combustíveis, como Áster e Copape, ligadas aos empresários Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme, conhecidos como Primo e Beto Louco.

A Operação Carbono Oculto investiga suspeitas de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Um dos focos da apuração é o suposto uso de fundos de investimentos em cascata para ocultar recursos e movimentar valores ligados ao setor de combustíveis.

Em nota, a Procuradoria Geral do Estado de São Paulo afirmou que o caso está sob sigilo judicial. "Trata-se de ação proposta pela Procuradoria Geral do Estado de São Paulo (PGE/SP), no âmbito da Operação Carbono Oculto, e que encontra-se em segredo de Justiça", informou a assessoria de imprensa do órgão.

A PGE/SP acrescentou que não poderia comentar o mérito da ação em razão do segredo de Justiça.

O Banco Genial Investimentos também se manifestou por meio de nota, afirmando atuar em conformidade com as normas do mercado financeiro. "O Banco Genial atua em estrita conformidade com as normas do mercado financeiro, pautando suas atividades por elevados padrões de governança, transparência e controles internos. As medidas judiciais mencionadas referem-se a processo em curso envolvendo fundo sob administração do banco”, disse a instituição.

A empresa acrescentou: “A atuação como administradora fiduciária foi conduzida em conformidade com a regulamentação aplicável e com os deveres inerentes a essa função". Segundo o banco, "No âmbito da Operação Carbono Oculto, o Banco Genial não figura como investigado, tendo colaborado com as autoridades desde que tomou conhecimento dos fatos."

De acordo com o UOL, citado pelo Valor, a Secretaria da Fazenda busca na medida cautelar fiscal o bloqueio de R$ 7,6 bilhões referentes a débitos de ICMS, incluindo juros e multa.

O Banco Genial teria passado a prestar serviços para as empresas do setor de combustíveis no segundo semestre de 2024, após a saída da Reag Trust DTVM e da gestora do grupo fundado por João Carlos Mansur, segundo fonte ouvida pelo Valor.

Na data da deflagração da Operação Carbono Oculto, em 28 de agosto de 2025, o Banco Genial divulgou nota afirmando ter renunciado à prestação de serviços de administração do fundo Radford, citado em documentos da investigação. Na ocasião, a instituição informou que o portfólio havia sido recebido cerca de um ano antes e que a estruturação tinha sido feita por outra instituição.

Ainda segundo a reportagem, quando os recursos deixaram o guarda-chuva da Reag, incluíam um Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDC) de aproximadamente R$ 500 milhões, atrelado a uma carteira de crédito consignado do Banco Master.

A estrutura herdada também teria incluído um empréstimo à usina Itajobi, ligada ao grupo Copape e Áster, tendo como contrapartida uma emissão de cédula de crédito bancário de R$ 176 milhões por meio do Radford.

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