Bancada do PT denuncia ação do clã Bolsonaro por classificação de PCC e CV como terroristas pelos EUA e vê ameaça à soberania
Em nota assinada por Pedro Uczai, bancada critica tentativa dos EUA de enquadrar facções como terroristas e vê risco à soberania e à economia do Brasil
247 - A Bancada do Partido dos Trabalhadores na Câmara dos Deputados divulgou, na quinta-feira (28), uma nota em que acusa Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro de estimular o governo dos Estados Unidos a classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. Assinado pelo líder da legenda na Casa, Pedro Uczai (PT-SC), o documento afirma que a medida pode gerar prejuízos econômicos, ampliar a ingerência externa e afetar a soberania nacional.
No documento, o partido sustenta que a iniciativa representa uma reação da extrema direita internacional às propostas de cooperação apresentadas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aos Estados Unidos. Segundo o texto, a proposta brasileira teria como foco a devolução de foragidos, a repatriação de recursos, a troca de informações de inteligência e o combate financeiro ao crime organizado.
A nota afirma que o enfrentamento ao Primeiro Comando da Capital (PCC), ao Comando Vermelho (CV) e a outras organizações criminosas deve ocorrer por meio dos instrumentos previstos na legislação brasileira. O PT cita como exemplos o chamado PL Antifacção, aprovado pelo Congresso Nacional, e a Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública, apresentada pelo governo federal.
De acordo com a bancada, durante a tramitação das medidas de combate ao crime organizado, a possibilidade de enquadrar facções como organizações terroristas foi debatida e rejeitada pelo Parlamento. O texto argumenta que Flávio e Eduardo Bolsonaro estariam tentando obter nos Estados Unidos uma decisão que não prosperou no Congresso brasileiro.
Impactos econômicos
A manifestação também alerta para possíveis consequências econômicas decorrentes da classificação. Segundo o PT, instituições financeiras, empresas e intermediários que sejam alvo de suspeitas relacionadas a operações envolvendo facções criminosas poderiam enfrentar sanções, bloqueios de ativos e restrições em operações internacionais.
Na avaliação da bancada, esse cenário poderia provocar fuga de investimentos, dificuldades de acesso ao crédito e prejuízos ao funcionamento do sistema financeiro nacional.
Segurança e soberania
O documento também afirma que a medida poderia afetar pessoas que vivem ou trabalham em áreas sob influência do crime organizado, criando obstáculos para acesso a serviços bancários, crédito e outras atividades econômicas.
Ainda segundo a nota, a classificação de facções como organizações terroristas poderia alterar os mecanismos de cooperação penal internacional, substituindo a atuação baseada em inteligência policial por uma lógica militarizada e ampliando possibilidades de ações coercitivas externas.
Ao final do texto, a Bancada do PT acusa a família Bolsonaro de atuar contra os interesses nacionais ao defender medidas que, segundo o partido, poderiam ampliar a influência dos Estados Unidos sobre temas relacionados à economia e à segurança pública brasileira. A nota conclui defendendo o combate ao crime organizado por meio das instituições nacionais e da preservação da soberania do país.
Confira a nota na íntegra
"OS BOLSONARISTAS QUEREM ENTREGAR O BRASIL AO TRUMP
A Bancada do PT na Câmara denuncia a articulação da extrema direita sob a condução de Flávio e Eduardo Bolsonaro para estimular os Estados Unidos a classificarem facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. A manifestação norte-americana representa uma resposta ideológica da extrema direita mundial à proposta séria de cooperação internacional apresentada pelo Brasil aos EUA em visita recente, baseada em devolução de fugitivos, repatriação de valores, troca de informações, asfixia financeira e combate real ao crime organizado. Em vez de cooperação, a extrema direita oferece sanções, ingerência, pressão econômica e submissão do Brasil aos interesses de estrangeiros.
O PCC, o Comando Vermelho e todas as organizações criminosas devem ser combatidos com firmeza. Foi exatamente por isso que o governo Lula apresentou o PL Antifacção, aprovado pelo Congresso Nacional, fortalecendo investigação patrimonial, asfixia financeira das facções, combate à lavagem de dinheiro, cooperação federativa, inteligência e controle de fronteiras, e a PEC da Segurança, que pretende inserir o governo federal na coordenação da segurança pública. Durante esse debate, a tentativa de tratar facções criminosas como terrorismo foi discutida e derrotada pelo Parlamento brasileiro. Flávio e Eduardo Bolsonaro tentam agora buscar em Washington aquilo que perderam no Congresso Nacional.
A classificação pode produzir consequências financeiras desastrosas e ampliar os prejuízos à economia brasileira, como já ocorreu com as tarifas impostas pelos EUA. Se instituições financeiras, bancos, empresas ou intermediários forem acusados de lavar dinheiro, movimentar valores ou facilitar pagamentos ligados a facções, o sistema financeiro brasileiro pode ser contaminado por fuga de investimentos, sanções, bloqueio de ativos, perda de correspondentes bancários, travamento de operações internacionais e restrição de crédito.
A medida também ameaça milhões de pessoas que vivem ou trabalham em territórios dominados pelo crime organizado, criando barreiras para circulação, serviços, contas bancárias e crédito. Além disso, pode prejudicar a cooperação penal internacional, de modo a substituir a participação da inteligência policial pela lógica militar e abrir espaço para pretensões de atuação extraterritorial, medidas coercitivas e até ação armada contra o Brasil, como propôs Flávio Bolsonaro ao pedir o bombardeio de barcos brasileiros na Baía de Guanabara.
A família Bolsonaro presta mais um desserviço ao Brasil. Depois de reivindicar sanções, tarifas e pressões estrangeiras contra a economia brasileira, de oferecer as nossas riquezas como os minerais críticos, Flávio e Eduardo avançam agora sobre a segurança pública nacional, usando o crime organizado como pretexto para entregar o país ao comando de Trump. A mesma família que acumula relações com o crime organizado no Brasil tenta posar de defensora da segurança enquanto conspira contra o povo brasileiro. O Brasil precisa combater o crime organizado com Estado forte, soberania e lei brasileira. O Brasil não é colônia. O Brasil é dos brasileiros!
Brasília, 28 de maio de 2026.
PEDRO UCZAI Líder do PT na Câmara dos Deputados"



