"Querem abrir espaço para intervenção", alerta Lindbergh após EUA classificarem PCC e CV como organizações terroristas
Deputado alerta para riscos à soberania brasileira e responsabiliza Eduardo e Flávio Bolsonaro pela articulação junto ao governo Trump
247 - O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) criticou a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Em vídeo divulgado nas redes sociais nesta quinta-feira (28), o parlamentar afirmou que a medida anunciada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, poderá provocar prejuízos econômicos ao Brasil, além de criar riscos à soberania nacional.
Segundo Lindbergh, "essa classificação do CV e PCC como organizações terroristas pelos EUA terá consequências negativas para o Brasil, para a nossa economia, os investimentos estrangeiros e é um ataque brutal à nossa soberania". Ao comentar o combate às organizações criminosas, o deputado afirmou que as facções já vêm sendo alvo de ações das autoridades brasileiras.
De acordo com ele, "CV e PCC estão sendo combatidos pelo governo do presidente Lula", citando operações da Polícia Federal e da Receita Federal contra estruturas financeiras ligadas ao crime organizado.
Interferência externa
Lindbergh também direcionou críticas ao deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro e ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), associando a decisão do governo estadunidense à atuação dos dois junto à gestão do presidente estadunidense, Donald Trump. Segundo o deputado, "Eduardo e Flávio Bolsonaro são irresponsáveis e não querem combater o crime organizado. Eles querem nos vulnerabilizar e abrir espaço para intervenção militar dos EUA no Brasil, querem fazer do Brasil colônia".
Na avaliação do parlamentar, a medida anunciada por Washington tem potencial para gerar impactos econômicos negativos. "O anúncio feito pelo Marco Rubio de que vai classificar Comando Vermelho e PCC como organização terrorista, o objetivo deles é trazer imensos prejuízos à economia brasileira", afirmou.
A decisão dos Estados Unidos foi anunciada na mesma semana em que Flávio Bolsonaro esteve no país e se reuniu com Trump, com o vice-presidente, J.D. Vance, e com o próprio Rubio. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vinha tentando evitar a adoção da classificação por considerar que ela poderia trazer consequências para a soberania brasileira.
Impactos econômicos
Ao detalhar suas críticas, Lindbergh argumentou que o enquadramento das facções como organizações terroristas poderá alterar a percepção de investidores estrangeiros sobre o Brasil. Segundo ele, "quando os Estados Unidos dizem que aqui tem organizações que são terroristas, vários fundos de investimento, vários grupos empresariais passam a calcular o risco de investir".
O deputado acrescentou que a medida tende a elevar o risco atribuído ao país. "Você aumenta o risco brasileiro, você diminui o grau de investimento. Você pode ter instituições financeiras atingidas. É um prejuízo gigantesco", declarou.
Lindbergh também rejeitou qualquer possibilidade de atuação militar estrangeira em território nacional. "Nós não aceitamos que o Trump e os Estados Unidos venham entrar com ação armada contra o Brasil", afirmou.
Cooperação internacional
O parlamentar ainda sustentou que a decisão poderá afetar mecanismos de cooperação entre autoridades brasileiras e estadunidenses no combate ao crime organizado. Segundo ele, "o que essa família Bolsonaro está fazendo fragiliza a nossa economia, abre vulnerabilidades na área de segurança nacional e é um retrocesso também na cooperação contra organizações criminosas".
O governo brasileiro tem defendido que PCC e Comando Vermelho não se enquadram na definição de terrorismo prevista na legislação nacional. Autoridades da área de segurança argumentam que as facções têm finalidade econômica e não atuam com motivações ideológicas, políticas ou religiosas, requisitos previstos na Lei Antiterrorismo para caracterização desse tipo de crime.



