Lula: 'o Brasil não está escolhendo entre China e Estados Unidos'
'Também não quero ser menor que os Estados Unidos ou a China. (...) Estamos escolhendo aquilo que é melhor para o nosso país', disse o presidente
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (9) que o Brasil não deve se submeter à lógica de disputa entre grandes potências e defendeu uma política externa orientada pelo interesse nacional. A declaração foi feita durante evento no Instituto Butantan, em São Paulo, onde o presidente abordou o cenário internacional, criticou o unilateralismo e reafirmou a importância do multilateralismo como eixo das relações globais.
A fala ocorreu enquanto Lula comentava a postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e avaliava o ambiente geopolítico atual. No discurso, o presidente brasileiro indicou que não pretende entrar em confrontos diretos, mas sim disputar espaço político e diplomático no debate internacional. “A briga do Brasil é a briga pela construção da narrativa”, afirmou.
Lula ironizou declarações de força militar atribuídas ao presidente norte-americano e rejeitou qualquer possibilidade de confronto. “Trump sabe que a briga do Brasil com ele não adianta ficar falando na televisão: ‘eu tenho a maior nave de guerra, tenho o maior submarino do mundo’. Eu não quero briga com ele, não sou doido. Vai que eu brigo e ganho? O que vou fazer?”, disse, em tom de ironia.
Segundo o presidente, o Brasil deve atuar para fortalecer o multilateralismo e evitar que o mundo seja conduzido por uma lógica de imposição do mais forte. “Queremos mostrar que o mundo não pode prescindir do multilateralismo. Precisamos provar no debate que foi o multilateralismo que criou uma harmonia entre os Estados e que permitiu que a gente vivesse em paz até agora, pelo menos em uma parte do mundo”, declarou.
Lula criticou o que chamou de unilateralismo baseado na teoria de que “o mais forte pode tudo” e afirmou que esse modelo não interessa ao Brasil. “O unilateralismo imposto pela teoria de que o mais forte pode tudo não me interessa”, disse.
Ao abordar a posição brasileira na América do Sul e no cenário internacional, Lula afirmou que o país não busca impor superioridade sobre seus vizinhos, mas também não aceita ocupar um papel subalterno diante das grandes potências globais. “Não quero ter supremacia sobre o Uruguai, sobre a Bolívia. Mas também não quero ser menor que os Estados Unidos ou a China”, afirmou.
Em seguida, o presidente reforçou que o Brasil não está adotando uma postura de alinhamento automático a nenhum dos polos globais em disputa. “Nós não estamos escolhendo entre China e Estados Unidos. Estamos escolhendo aquilo que é melhor para o nosso país”, declarou.
Lula citou como exemplo a cooperação com a China na produção de vacinas, defendendo que parcerias devem ser firmadas quando contribuem para ampliar a capacidade nacional de atender a população. “E se a China aceita fazer uma parceria conosco na produção de vacinas e vai produzir a quantidade que a gente ainda não tem condições de produzir, por que não fazer um convênio com a China e produzir vacinas para atender a quem precisa?”, afirmou.


