EUA querem promover um genocídio contra o povo cubano, denuncia embaixador
O bloqueio unilateral à ilha, condenado de forma quase unânime pelos países que compõem a ONU, condena o povo cubano à toda sorte de dificuldades
Leonardo Fernandes, Brasil de Fato - Desde que assumiu o governo dos Estados Unidos, em janeiro de 2025, o presidente Donald Trump e seu secretário de Estado, Marco Rubio, têm intensificado a política de hostilidades contra o governo e o povo de Cuba, que começou imediatamente após a Revolução Cubana, em 1959. O bloqueio unilateral à ilha, condenado de forma quase unânime pelos países que compõem a Organização das Nações Unidas (ONU), condena o povo cubano à toda sorte de dificuldades.
Mais recentemente, com o aumento da presença militar no Caribe e a agressão militar contra a Venezuela, em 3 de janeiro, uma nova página de violações é inaugurada pelo regime estadunidense. Na última quinta-feira (29), Trump assinou um decreto que autoriza a imposição de tarifas sobre países que eventualmente forneçam petróleo a Cuba, que já sofre com a escassez de energia desde o início do bloqueio marítimo promovido pelos EUA.
Nesse contexto, o embaixador cubano em Brasília, Adolfo Curbelo Castellanos conversou brevemente com o Brasil de Fato e declarou: “Os Estados Unidos quem praticar um genocídio contra o povo de Cuba”.
Leia a entrevista completa
Brasil de Fato: Embaixador, como o senhor vê esse recente ataque à Venezuela e quais consequências tem para a América Latina?
Adolfo Curbelo Castellanos: Esse não foi um ataque apenas contra a Venezuela, esse é um ataque contra a soberania de toda a América Latina, uma tentativa de impor uma doutrina a sangue e fogo. A declaração aberta de que a intenção é roubar os recursos naturais de nosso continente, tão duramente defendidos e com a independência tão duramente alcançada por nossos povos.
No caso de Cuba, todos conhecem que uma recente portaria do presidente norte-americano Donald Trump a declarou uma ameaça inusual, o que é uma mentira extraordinária. Primeiro porque Cuba não ameaça ninguém. Segundo, porque os argumentos que aí se invocam ou se esgrimem são falsos de toda falsidade, porque Cuba não abriga, Cuba rejeita o terrorismo. Cuba, de fato, tem sido vítima do terrorismo vindo dos Estados Unidos, onde eles protegeram terroristas de origem cubana e próprios norte-americanos que atentaram contra nosso país. Cuba coopera, Cuba não é uma ameaça para ninguém. A única ameaça que há aqui realmente é a política, a atitude e a conduta do governo dos Estados Unidos, não só para com Cuba, mas para com o conjunto da região.
Sobre a recente decisão do governo dos Estados Unidos de aplicarem sanções a quem comercialize petróleo com Cuba, como o senhor avalia?
Vemos esta nova portaria como uma ameaça direta. É uma declaração de vontade de parte do governo dos Estados Unidos de praticar um genocídio contra o povo de Cuba. E o dizemos com todas as letras, porque o bloqueio agora intensificado com esta medida de impedir que entre em Cuba uma gota de petróleo é uma medida que se qualifica como genocídio de acordo com a convenção.
E por que é genocídio? Porque priva o povo cubano dos meios de subsistência. E quando você impede, aplicando um bloqueio como o que eles aplicam, e agora esta nova portaria em que declararam abertamente que o propósito é render e destroçar nosso país, realmente nós vemos isto não como uma ação isolada, mas como uma medida que pode escalar e que, no conceito desta administração dos Estados Unidos, pode escalar para outras agressões de todo tipo.
Como os demais povos do mundo podem contribuir para denunciar essa situação e apoiar o povo cubano em mais esse ataque imperialista contra o povo de Cuba?
Então, é importante a solidariedade internacional, é importante mobilizar a solidariedade internacional, em particular que a sociedade brasileira e os diferentes estamentos deste país se pronunciem. Realmente é um compromisso, eu creio, não só de solidariedade para com Cuba, mas também é um compromisso com toda a América Latina frente à qual temos todos o dever de defender a soberania, inclusive a brasileira.
Naturalmente, ninguém se engana de que isto é contra todos nós. E, portanto, é importante a solidariedade política e é importante também a solidariedade prática, para desafiar a pretensão deles de bloquear o acesso de Cuba ao petróleo, ao alimento, aos medicamentos e tudo o mais. Enquanto isso, o povo cubano tem se expressado, nossos dirigentes se expressaram com toda a clareza sobre nossa decisão de resistir e de nos prepararmos para combater se for necessário, como sempre vamos estar.


