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Cuba confirma negociações com EUA em meio à crise energética

Diálogo ocorre enquanto a ilha enfrenta escassez de petróleo após restrições no fornecimento de combustível por causa de sanções estadunidenses

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, durante evento econômico em Minsk, Belarus - 26/06/2025 (Foto: Sputnik/Sergey Bobylev )

247 - O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, confirmou nesta sexta-feira (13) que representantes do governo cubano mantiveram conversas recentes com autoridades dos Estados Unidos, em um momento de forte tensão diplomática entre os dois países e de agravamento da crise energética na ilha. O diálogo ocorre enquanto Cuba enfrenta dificuldades no abastecimento de petróleo após medidas de Washington que restringiram o fornecimento do combustível ao país caribenho.

Segundo a RFI, durante uma reunião com as principais autoridades cubanas, Díaz-Canel afirmou que as tratativas já estão em andamento. Segundo ele, "funcionários cubanos mantiveram recentemente conversas com representantes do governo dos Estados Unidos", declaração transmitida pela televisão estatal do país.

O presidente explicou ainda que o objetivo dessas discussões é buscar soluções diplomáticas para os impasses entre os dois países. "Essas discussões têm por objetivo buscar soluções, por meio do diálogo, para as disputas bilaterais existentes entre nossas duas nações", disse o líder cubano ao se dirigir a integrantes do Bureau Político, da secretaria do Comitê Central do Partido Comunista e do comitê executivo do Conselho de Ministros.

As imagens exibidas pela televisão estatal mostraram a presença de diversas autoridades na reunião. Entre elas estava Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto do ex-presidente Raúl Castro (2006–2018). O nome dele foi citado pela imprensa dos Estados Unidos como possível interlocutor do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, em conversas que teriam ocorrido de forma reservada.

As declarações de Díaz-Canel reforçam afirmações feitas anteriormente pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em meados de janeiro, Trump já havia indicado que seu governo mantinha contatos com autoridades cubanas de alto escalão.

Pressão de Washington e crise energética

O diálogo ocorre em um contexto de pressão política por parte de Washington. O governo norte-americano afirma considerar Cuba uma “ameaça excepcional”, citando principalmente as relações do país com Rússia, China e Irã, parceiros estratégicos de Havana.

Trump tem defendido publicamente uma mudança política na ilha, localizada a cerca de 150 quilômetros do território norte-americano. O presidente dos Estados Unidos pressiona o governo cubano a chegar a um acordo, advertindo que Havana poderá enfrentar consequências caso não avance nas negociações.

Paralelamente, Cuba enfrenta uma grave crise energética que tem afetado o funcionamento da economia. A escassez de combustível se intensificou após Washington interromper o fornecimento de petróleo proveniente da Venezuela, principal fornecedor da ilha, além de ameaçar impor sanções a outros países que comercializem combustível com Havana.

Díaz-Canel afirmou que o diálogo com os Estados Unidos busca enfrentar diretamente os problemas bilaterais que afetam as relações entre os dois países. Segundo ele, as negociações são complexas e exigem cautela. O presidente declarou que se trata de "um processo muito delicado" que "exige esforços enormes e árduos para encontrar um terreno comum que nos permita avançar e nos afastar do confronto".

Declarações de Trump sobre Cuba

No final de fevereiro, Donald Trump voltou a comentar publicamente a situação cubana e sugeriu a possibilidade de mudanças políticas na ilha. Na ocasião, afirmou: "Eles não têm dinheiro, não têm nada agora, mas estão conversando conosco e talvez vejamos uma tomada amistosa de Cuba". As declarações ocorreram enquanto Washington intensificava a pressão econômica sobre Havana e mantinha o discurso de que busca uma transformação política no país.

Libertação de prisioneiros sob mediação do Vaticano

Em meio a esse cenário diplomático delicado, o governo cubano anunciou na noite de quinta-feira (12) que pretende libertar em breve 51 prisioneiros. A medida será acompanhada pelo Vaticano, que historicamente atua como mediador em momentos de aproximação entre Cuba e os Estados Unidos.

A Igreja Católica já desempenhou papel central no processo de reaproximação entre os dois países que culminou no restabelecimento das relações diplomáticas em 2015, durante o segundo mandato do ex-presidente dos EUA Barack Obama.

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