Nathalia Urban por Milenna Saraiva

Esta seção é dedicada à memória da jornalista Nathalia Urban, internacionalista e pioneira do Sul Global

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Mídia chinesa promove consenso e coesão social, enquanto o Ocidente produz divisão, diz Leonardo Attuch

Jornalista contrapõe modelos de comunicação e afirma que caos informacional fragiliza democracias e compromete o desenvolvimento

Leonardo Attuch (Foto: Brasil 247)

247 – O jornalista Leonardo Attuch afirmou que os modelos de comunicação da China e do Ocidente seguem lógicas opostas, com impactos diretos sobre a coesão social e o desenvolvimento econômico. A declaração foi feita nesta quarta-feira (18), durante o evento “Desenvolvimento da China, Oportunidades para o Mundo”, ao responder a uma pergunta sobre o papel da comunicação na estabilidade das sociedades.

Ao analisar o cenário global, Attuch descreveu o momento atual como uma “Era da Loucura”, marcada pela perda de parâmetros de razoabilidade e pela crescente dificuldade de distinguir verdade e mentira no ambiente informacional.

Segundo ele, o avanço da desinformação e a fragmentação do debate público têm contribuído para um quadro de instabilidade nas democracias ocidentais.

Em sua resposta, Attuch relatou experiências recentes na China, onde esteve quatro vezes no último ano. Em uma dessas viagens, além de entrevistar a presidenta do Novo Banco de Desenvolvimento, Dilma Rousseff, ele também visitou veículos de comunicação chineses, incluindo parceiros do Brasil 247 e o China Media Group. “A conclusão a que eu cheguei na China foi de que os meios de comunicação operam numa lógica também muito alinhada ao desenvolvimento. Eles são promotores de consenso e de coesão social”, afirmou.

Na avaliação do jornalista, esse modelo contrasta com o padrão predominante no Ocidente. “No Ocidente, quando a gente olha para os meios de comunicação, eles produzem divisão e polarização. Servem exatamente para dividir as sociedades para que a ordem econômica que interessa aos donos do poder permaneça a mesma”, declarou.

Attuch destacou que o sucesso econômico chinês não pode ser explicado apenas pelo planejamento estatal e pelas metas de crescimento, mas também pelo papel estruturante da comunicação na construção de unidade nacional. “A gente enfatiza muito a questão do planejamento, de traçar um método científico para alcançar crescimento nesse próximo plano quinquenal de 4,5% a 5% ao ano, mas a gente tem que enfatizar também o papel de uma mídia que cria unidade e coesão social para que esses resultados sejam alcançados”, disse.

O jornalista também chamou atenção para o impacto do chamado “caos informacional” nas sociedades contemporâneas, que, segundo ele, tem levado à perda de referências comuns. “A gente está assistindo a um momento de fragmentação das sociedades e das democracias liberais no Ocidente. Isso se deve muito ao caos informacional. Muitas pessoas já não sabem mais diferenciar o que é verdade e o que é mentira”, afirmou.

Ele também mencionou os riscos associados ao avanço da inteligência artificial, com a proliferação de conteúdos cada vez mais realistas, mesmo quando falsos.

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