Nathalia Urban por Milenna Saraiva

Esta seção é dedicada à memória da jornalista Nathalia Urban, internacionalista e pioneira do Sul Global

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Mais rápido e mais barato: como a China expõe o atraso industrial dos Estados Unidos

Comparação entre China e EUA revela como obras em Xangai são concluídas em menos tempo e com custos muito inferiores aos de Nova York

China anuncia crescimento do PIB (Foto: Global Times)

247 - A disparidade entre China e Estados Unidos na execução de grandes obras de infraestrutura revela um contraste profundo entre dois modelos de desenvolvimento: enquanto Xangai entrega projetos em poucos anos e com custos reduzidos, Nova York acumula atrasos que podem se estender por décadas e elevar gastos a bilhões de dólares, mostra reportagem exibida pelo Fantástico, da TV Globo.

Um dos exemplos mais claros dessa diferença está na ligação entre aeroportos e centros urbanos. Em Nova York, um trecho de cerca de 13 quilômetros exigiu anos de planejamento e consumiu aproximadamente US$ 2 bilhões. Apesar do investimento elevado, o sistema não oferece alta velocidade e o trajeto completo pode ultrapassar uma hora. Já em Xangai, o trem de levitação magnética — considerado o mais rápido do mundo — foi construído em apenas três anos, custou cerca de metade desse valor e realiza o percurso em pouco mais de sete minutos.

O contraste também se repete em obras de grande porte, como estações ferroviárias. Em Nova York, a construção de uma nova entrada da Penn Station levou décadas desde a concepção até a conclusão e custou cerca de US$ 1,6 bilhão. Em Xangai, a estação central foi erguida em apenas três anos, com um custo aproximado de US$ 300 milhões — menos de um quinto do valor registrado na cidade americana.

A expansão do transporte público urbano reforça ainda mais essa diferença. Mesmo tendo iniciado seu sistema de metrô quase um século depois, Xangai já superou Nova York em extensão e número de estações. O crescimento acelerado da rede chinesa evidencia um ritmo de execução muito mais intenso e coordenado.

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Especialistas apontam três fatores centrais para explicar essa diferença: velocidade, escala e planejamento. Na China, grandes projetos seguem padrões que podem ser replicados em diversas cidades, reduzindo custos e aumentando a eficiência. Esse modelo, comparado a um sistema de “peças de Lego”, permite a construção em larga escala com menor custo unitário.

Outro elemento decisivo é o planejamento centralizado. As decisões são tomadas de forma rápida e implementadas sem a necessidade de longos processos políticos ou disputas locais. Esse modelo reduz significativamente o tempo entre a concepção e a execução das obras, impactando diretamente os custos finais.

A velocidade de construção, aliás, é apontada como um fator determinante. Quanto mais rápido um projeto é concluído, menor tende a ser o custo total. Em sistemas com múltiplas etapas de aprovação, como o americano, atrasos prolongados acabam inflacionando os orçamentos.

O contraste entre os dois países também reflete diferenças estruturais em seus sistemas políticos. Na China, a continuidade administrativa permite o planejamento de longo prazo sem interrupções eleitorais. Quando uma área é definida como prioritária, a execução ocorre de forma imediata, mesmo que isso implique a reorganização de regiões inteiras.

Nos Estados Unidos, por outro lado, o processo é mais fragmentado e envolve debates públicos, disputas políticas, interesses imobiliários e resistência de comunidades locais. Esse conjunto de fatores contribui para atrasos frequentes e elevação de custos, dificultando a realização de obras estruturais no tempo necessário.

Em alguns casos, projetos que poderiam ser concluídos em poucos anos acabam levando décadas para sair do papel. Esse cenário evidencia como decisões políticas, modelos de governança e processos institucionais influenciam diretamente a capacidade de execução de infraestrutura.

A comparação entre Xangai e Nova York vai além dos números e revela um embate entre modelos de desenvolvimento. De um lado, a China avança com rapidez e eficiência, sustentada por planejamento centralizado e execução em larga escala. Do outro, os Estados Unidos enfrentam desafios estruturais que impactam diretamente o custo e o tempo de suas obras, expondo limitações que refletem escolhas políticas e econômicas ao longo das últimas décadas.

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