China e Índia reforçam laços após ruptura de Modi com Trump
Reaproximação ocorre em meio a guerra tarifária e mudança na estratégia externa indiana para fortalecer o Brics e reduzir dependência dos EUA
247 – A Índia e a China estão dando passos concretos para restabelecer relações econômicas abaladas desde o grave confronto de fronteira no Himalaia, em 2020. Segundo informações do Valor Econômico, a reaproximação ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impor uma tarifa de 50% sobre produtos indianos, em retaliação às compras de petróleo russo pela Índia.
A medida de Trump foi vista como um duro golpe para Nova Délhi, especialmente porque o premiê Narendra Modi havia sido um dos primeiros líderes estrangeiros a visitá-lo depois de seu retorno à Casa Branca. O agravamento das tensões levou Modi a reforçar alianças com países do Brics e a buscar alternativas para reduzir a dependência econômica dos EUA.
Retomada de voos e encontro histórico
Entre as medidas de aproximação, Modi planeja retomar voos diretos entre Índia e China já no próximo mês, algo que não ocorre desde a pandemia de covid-19. O anúncio oficial pode ser feito durante a sua primeira visita à China em sete anos, quando se reunirá com o presidente Xi Jinping durante a cúpula da Organização para Cooperação de Xangai, marcada para 31 de agosto, em Tianjin.
Esses voos foram suspensos não apenas por causa da pandemia, mas também pelo declínio nas relações bilaterais após os confrontos de 2020, que deixaram 20 soldados indianos mortos e um número não revelado de baixas chinesas.
Contexto da guerra tarifária
O endurecimento de Trump contra a Índia foi motivado por seu descontentamento com as importações indianas de petróleo russo a preços reduzidos — que, segundo Washington, ajudam a financiar a guerra na Ucrânia. O presidente norte-americano chegou a afirmar que a economia indiana estava “morta” e que as barreiras tarifárias do país eram “inaceitáveis”.
Para Henry Wang, presidente do Centro para China e Globalização, com sede em Pequim, “as relações entre a Índia e a China estão em um ciclo ascendente e, como líderes do Sul Global, eles precisam realmente conversar entre si”. Ele acrescenta que “a guerra tarifária de Trump fez a Índia perceber que precisa manter algum tipo de autonomia e de independência estratégicas”.
Gestos de cooperação chinesa
A China já deu sinais de abertura, ao aliviar as restrições sobre remessas de ureia para a Índia — o maior importador mundial do fertilizante. Embora os volumes ainda sejam modestos, a medida pode ajudar a reduzir a escassez e aliviar preços no mercado global.
No entanto, especialistas lembram que a reconstrução da confiança mútua será lenta, já que, além das disputas históricas, Pequim forneceu recentemente armas e inteligência ao Paquistão durante um embate militar com a Índia.
Expansão do eixo Índia-Brasil-Rússia
O movimento de Modi não se limita à China. Em agosto, ele convidou o presidente russo Vladimir Putin para visitar a Índia e reforçar a cooperação econômica, num claro sinal de distanciamento de Washington. Também estreitou contatos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, discutindo comércio e tarifas unilaterais.
Na visita a Brasília em julho, Modi e Lula destacaram o fortalecimento dos laços comerciais e, em conversa telefônica no início de agosto, concordaram em expandir o acordo comercial da Índia com o Mercosul.
❗ Se você tem algum posicionamento a acrescentar nesta matéria ou alguma correção a fazer, entre em contato com [email protected].
✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no Telegram do 247 e no canal do 247 no WhatsApp.
Vote agora no Brasil 247 no iBest 2025
Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista: