Nova cepa de mpox é detectada e OMS reforça alerta global
Casos foram identificados no Reino Unido e na Índia. A entidade alerta para possível existência de registros não detectados
247 - A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou ter identificado uma nova variante do vírus mpox em circulação no Reino Unido e na Índia. Até o momento, foi confirmado apenas um caso em cada país, e os dois pacientes haviam realizado viagens antes de apresentarem infecção. Segundo a entidade, nenhum deles desenvolveu sintomas graves.
De acordo com a OMS, a nova cepa é resultado de recombinação entre dois grupos genéticos do vírus, conhecidos como Clados 1b e 2b. A organização destacou que as duas pessoas “adoeceram com várias semanas de intervalo, infectados pela mesma cepa recombinante”, o que pode indicar que existam outros casos ainda não identificados pelos sistemas de vigilância sanitária.
O caso registrado no Reino Unido foi detectado em dezembro de 2025, envolvendo um viajante que retornava de um país da região da Ásia-Pacífico. Já na Índia, o paciente desenvolveu sintomas em setembro de 2025 e inicialmente havia sido classificado como infectado pelo mpox do Clado 2, antes de exames apontarem a presença da variante recombinante.
A identificação de uma nova cepa em diferentes países, ainda que em número reduzido de ocorrências, reforça a preocupação das autoridades de saúde com a possibilidade de transmissão não detectada e com a necessidade de monitoramento contínuo. A OMS tem recomendado atenção especial aos casos suspeitos e à ampliação de medidas de rastreamento, especialmente entre pessoas com histórico recente de viagens internacionais.
O que é mpox
A mpox é uma doença zoonótica causada pelo vírus MPXV. A transmissão para humanos ocorre principalmente por contato próximo e prolongado com pessoas infectadas, incluindo abraços, beijos e relações sexuais, especialmente quando há presença de lesões na pele, erupções cutâneas, bolhas, crostas ou contato com fluidos corporais, como secreções e sangue.
O compartilhamento de objetos contaminados recentemente por materiais provenientes dessas lesões também pode favorecer a disseminação do vírus, incluindo toalhas, roupas de cama e itens pessoais utilizados pela pessoa infectada.
Em caso de suspeita, a orientação é procurar uma unidade de saúde para avaliação. Caso necessário, pode ser realizado diagnóstico laboratorial para confirmar a doença. Se o diagnóstico for confirmado, recomenda-se adotar medidas preventivas para evitar a transmissão e iniciar acompanhamento clínico individualizado. Entre as principais orientações está evitar contato próximo com outras pessoas até o desaparecimento completo dos sintomas.
Principais sintomas da mpox
Os sinais mais comuns incluem erupções cutâneas ou lesões na pele, febre, ínguas, dores no corpo, dor de cabeça, calafrios e fraqueza. O número de lesões pode variar e a área afetada pode ficar restrita às regiões que tiveram contato direto com a fonte de transmissão.
As lesões podem se apresentar levemente elevadas e preenchidas com líquido claro ou amarelado, podendo evoluir para crostas que secam e caem. As erupções podem surgir no rosto, boca, tronco, mãos, pés e em outras partes do corpo, inclusive nas regiões genital e anal.
Segundo as informações divulgadas, os sintomas podem surgir entre 3 e 21 dias após o contato com o vírus. A transmissão ocorre desde o início dos sinais clínicos até que todas as lesões cicatrizem completamente.
Medidas de prevenção
A OMS reforça que a prevenção segue sendo a principal forma de proteção. Entre as recomendações estão evitar contato com pessoas com suspeita ou confirmação da doença. Em situações inevitáveis, como no caso de cuidadores, profissionais de saúde ou familiares próximos, é indicado o uso de equipamentos de proteção, como luvas, máscaras, avental e óculos.
Outra orientação é manter higiene frequente das mãos com água e sabão ou álcool em gel, especialmente após contato com roupas, lençóis, toalhas ou superfícies que possam ter sido contaminadas por secreções ou lesões cutâneas.
Também é recomendado lavar roupas pessoais e de cama, toalhas, utensílios e objetos pessoais com água morna e detergente, além de limpar e desinfetar superfícies contaminadas e descartar adequadamente resíduos como curativos.
Vacina contra mpox
Existe vacina contra a mpox, mas, segundo as informações disponíveis, ela não é considerada neste momento a estratégia mais eficiente para conter a doença. Durante a Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional em 2023, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou de forma provisória a vacinação contra mpox no Brasil.
Naquele ano, foram distribuídas todas as 49 mil doses adquiridas pelo Ministério da Saúde. A oferta do imunizante segue limitada devido à complexidade do processo de produção, o que dificulta a aquisição em escala global.
Na última semana, a OMS ativou o processo de inclusão das vacinas contra mpox na lista de uso emergencial, iniciativa que pode acelerar o acesso ao imunizante em países de baixa renda que ainda não possuem aprovação regulatória nacional.

