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Bahia busca parceria com Índia para reduzir gastos do SUS com remédios de alto custo

Acordo prevê produção local de medicamentos usados contra câncer e doenças raras e pode gerar economia de até R$ 600 milhões por ano, segundo a Bahiafarma

Assinatura da ordem de serviço para a construção do novo campus da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) em Jequié, integrando as ações do Novo PAC. Fotos: Thuane Maria/GOVBA (Foto: Thuane Maria/GOVBA)

247 - O governo da Bahia pretende firmar uma parceria com empresas da Índia para viabilizar a produção local de medicamentos de alto custo atualmente distribuídos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa, liderada pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT), busca reduzir despesas anuais estimadas em R$ 1,7 bilhão com remédios essenciais para o tratamento de câncer e doenças raras, informa a Folha de São Paulo.

Integrante da comitiva do presidente Lula (PT) em viagem à Índia, Jerônimo Rodrigues deve visitar instalações industriais e assinar termos de compromisso com companhias farmacêuticas indianas. O objetivo é permitir que o estado passe a fabricar ao menos quatro medicamentos hoje fornecidos pelo SUS, reduzindo a dependência de importações e barateando os custos para o sistema público de saúde.

Entre os medicamentos citados está o Pertuzumabe, utilizado no tratamento do câncer de mama. Outro destaque é o Nivolumabe, medicamento de imunoterapia indicado para alguns tipos de câncer, como os de pulmão, rim e estômago. Também integra a lista o Bevacizumabe, amplamente utilizado em tratamentos oncológicos.

O item mais oneroso, porém, é o Eculizumabe, usado em doenças raras e que sozinho representa uma demanda estimada em R$ 817 milhões para o SUS.

A estratégia do governo baiano é alcançar uma redução de até 25% no custo desses medicamentos, em determinados casos, a partir da produção em território nacional. Conforme explicou a diretora-presidente da Bahiafarma, Ceuci Nunes, a queda pode ser ainda mais expressiva em situações específicas. "Uma caixa que custa R$ 20 mil pode cair para até R$ 6 mil", afirmou Ceuci Nunes.

A dirigente também apontou o impacto econômico esperado com a iniciativa: "Uma economia de R$ 600 milhões ao ano", garantiu.

Os termos de compromisso devem ser assinados durante fóruns empresariais programados para ocorrer na Índia, em 21 de fevereiro, e na Coreia do Sul, em 23 de fevereiro. As empresas estrangeiras envolvidas detêm as tecnologias e patentes dos medicamentos, o que torna indispensável a formalização de acordos internacionais.

A articulação só avançou após a Bahiafarma selecionar, em 2024, a empresa nacional Bionovis como parceira privada no processo de transferência de tecnologia. A partir dessa escolha, foi possível estruturar as negociações com companhias internacionais como a Samsung Bioepis, da Coreia do Sul, e as indianas Dr. Reddy’s Laboratories e Biocon Biologics.

Com a ampliação da capacidade de produção local, o governo estadual aposta em reduzir custos e fortalecer a autonomia do SUS no fornecimento de medicamentos estratégicos, especialmente aqueles que hoje representam os maiores gastos do sistema público de saúde.

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