Quem é o argentino preso em Minas após atacar criança com insultos racistas: "quero levar como escravo"
O homem fotografou e filmou o menino sem autorização e compartilhou as imagens em uma conversa
247 - Um cidadão argentino de 63 anos foi preso em flagrante suspeito de cometer injúria racial contra uma criança de 7 anos durante um passeio de Maria Fumaça entre São João del-Rei e Tiradentes, na Região Central de Minas Gerais, no domingo (24). O caso ocorreu dentro do trem turístico e gerou reação de passageiros, funcionários e familiares da vítima.
As informações são do g1. Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais, o homem fotografou e filmou o menino sem autorização e compartilhou as imagens em uma conversa acompanhadas de mensagens de teor racista, escritas em espanhol.
O suspeito foi identificado pela polícia como Eduardo Ignacio. Ele foi detido ainda no local após ser contido por passageiros e funcionários até a chegada da Polícia Militar. Depois da prisão, foi encaminhado ao sistema prisional em São João del-Rei, onde ficou à disposição da Justiça.
De acordo com o boletim de ocorrência, a família da criança havia embarcado no passeio por volta das 10h. A viagem fazia parte de uma comemoração pelo aniversário da mãe do menino. Durante o trajeto, uma passageira percebeu que o homem registrava imagens da criança e alertou a mãe.
Ao ser confrontado, o suspeito inicialmente negou que tivesse feito fotos e vídeos do menino. Ele também teria se recusado a mostrar o celular. Segundo o relato da mãe, a comunicação foi dificultada pelo sotaque do homem. Depois, ele desbloqueou o aparelho, e ela conseguiu verificar o conteúdo.
No celular, foram encontradas imagens da criança acompanhadas de mensagens racistas. Em uma delas, o homem afirmou que poderia “levar [a criança] como escravo”. Em outra mensagem, segundo a mãe, ele dizia querer levar um escravo para cuidar das netas da pessoa com quem conversava.
A situação provocou revolta dentro do vagão. Passageiros e funcionários impediram que o suspeito deixasse o local antes da chegada da polícia. A Polícia Militar realizou a prisão em flagrante, e o caso foi encaminhado às autoridades competentes.
Na segunda-feira (25), o argentino passou por audiência de custódia. A prisão em flagrante foi convertida em preventiva, e ele permaneceu no sistema prisional em São João del-Rei.
A mãe da criança relatou o impacto do episódio e afirmou que tentou reagir ao perceber o teor das mensagens, mas foi contida por outras pessoas dentro do trem.
“A gente se hospedou em São João Del Rei. A gente nunca tinha saído do Rio. E na hora em que aconteceu, o meu instinto de mãe parte para cima. Algumas pessoas me seguraram dentro do trem, alegando que era para eu não perder a razão”.
Ela também disse que pretende seguir com a denúncia até o fim. “A gente vai até o fim porque isso não pode acontecer'", disse.
Segundo a mãe, o menino compreendeu o que havia ocorrido e ficou emocionalmente abalado após o episódio. A família permaneceu em São João del-Rei depois do caso.
“Meu filho está muito assustado. Meu filho está literalmente constrangido com a situação, está quieto, não está legal. Eu vejo meu filho acuado, coagido, um olhar triste”, desabafou.
A Polícia Civil informou que a prisão em flagrante foi ratificada pelo crime de injúria racial. O celular do suspeito foi apreendido e será analisado no curso da investigação.
O inquérito segue para apurar o conteúdo das mensagens, a forma como as imagens foram produzidas e compartilhadas e todas as circunstâncias envolvendo o caso ocorrido durante o passeio turístico na Maria Fumaça.



