Pedro Rousseff aciona PGR contra Flávio
Parlamentar pede apuração por corrupção passiva após reportagem do Intercept Brasil
247 - O vereador de Belo Horizonte (MG) Pedro Rousseff (PT) protocolou nesta terça-feira (13) uma representação na Procuradoria-Geral da República contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com pedido de investigação por possível corrupção passiva, após reportagem do Intercept Brasil revelar mensagens privadas, comprovantes bancários e documentos societários ligados a repasses de ao menos R$ 61 milhões para o filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL).
Segundo a representação apresentada por Pedro Rousseff e baseada em reportagem do Intercept Brasil, Flávio Bolsonaro teria negociado e recebido recursos do banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a produção cinematográfica associada à família Bolsonaro. O documento foi encaminhado ao procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco.
A petição sustenta que os elementos divulgados indicam a necessidade de abertura de procedimento investigatório criminal contra o senador. O pedido cita a possível prática do crime previsto no artigo 317 do Código Penal, que trata de corrupção passiva.
De acordo com o documento, os registros mencionados na reportagem apontam transferências feitas entre fevereiro e maio de 2025 para um fundo ligado à produção do filme. A representação também cita mensagens atribuídas a Flávio Bolsonaro em que ele cobraria pagamentos, organizaria reuniões e agradeceria pessoalmente o apoio financeiro de Daniel Vorcaro.
Pedido também mira possível lavagem de dinheiro
Pedro Rousseff também pediu que a PGR apure eventual lavagem de dinheiro relacionada à origem dos recursos usados no projeto cinematográfico. A solicitação amplia o escopo da representação e coloca sob análise a conexão entre o financiamento do filme, o Banco Master e o entorno político de Jair Bolsonaro.
O vereador argumenta que a gravidade dos fatos exige investigação formal. Para ele, as informações divulgadas apontam para relações financeiras que precisam passar pelo crivo das autoridades competentes.
“A gravidade dos fatos revelados exige investigação rigorosa. Estamos falando de possíveis relações financeiras obscuras envolvendo um senador da República, pré-candidato à Presidência, e recursos que podem ter origem em esquema fraudulento bilionário”, afirmou Pedro Rousseff.
A fala do parlamentar reforça a linha central da representação: a PGR deve investigar se o senador atuou para viabilizar recursos privados em benefício de uma obra audiovisual de interesse político e familiar.
Áudio vazado amplia pressão sobre Flávio Bolsonaro
O pedido à PGR ocorre após a divulgação de um áudio atribuído a Flávio Bolsonaro. A gravação, segundo a reportagem citada na representação, mostra o senador cobrando Daniel Vorcaro por pagamentos relacionados à produção de “Dark Horse”.
A existência de mensagens privadas, comprovantes bancários e documentos societários, conforme relatado na petição, levou Pedro Rousseff a sustentar que o caso supera o campo político e exige apuração penal. O vereador afirma que a combinação desses elementos fortalece a necessidade de investigação.
O filme “Dark Horse” retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro e se tornou o centro de uma nova controvérsia envolvendo figuras do bolsonarismo, empresários e financiamento privado. A representação busca esclarecer se houve vantagem indevida ou qualquer contrapartida ligada aos repasses.
PGR pode avaliar abertura de investigação
Com o protocolo da representação, caberá à Procuradoria-Geral da República analisar os elementos apresentados e decidir os próximos passos. Como Flávio Bolsonaro exerce mandato de senador, a PGR tem papel central na avaliação de pedidos de investigação que envolvem parlamentares com prerrogativa de foro.
O documento enviado a Paulo Gonet Branco pede que a apuração examine a possível corrupção passiva e a eventual lavagem de dinheiro associada aos recursos destinados ao filme. A representação também solicita análise sobre a origem dos valores e sobre a participação de Flávio Bolsonaro nas tratativas citadas.
O caso aumenta a pressão política e jurídica sobre o senador em meio às revelações envolvendo Daniel Vorcaro. A PGR recebeu a petição com base nas informações divulgadas pelo Intercept Brasil e nos registros mencionados por Pedro Rousseff em sua representação.
Outro lado
O político da extrema direita comentou o episódio, por meio de nota. "Mais do que nunca é fundamental a instalação da CPI do Banco Master. É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet. Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro", afirmou Flávio.
"O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do MASTER JÁ".



