‘Brasil defendeu a soberania e não aceitará pressões externas’, diz Lindbergh sobre assessor de Trump
Parlamentar se manifestou após o governo brasileiro revogar o visto de Darren Beattie, assessor do governo do presidente dos EUA, Donald Trump
247 - O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) usou as redes sociais nesta sexta-feira (13) para se posicionar publicamente em defesa da decisão do governo Lula de revogar o visto de Darren Beattie, assessor do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A manifestação do parlamentar ocorre no mesmo dia em que o caso ganhou repercussão nacional e internacional.
Em publicação no X, antigo Twitter, Lindbergh enquadrou a medida como uma resposta dentro dos limites do direito internacional e das normas diplomáticas. "A resposta brasileira reafirma princípios básicos das relações entre Estados como soberania, respeito e reciprocidade. O Brasil dialoga com todos, mas não aceitará pressões externas e nem tentativas de constranger suas instituições democráticas", escreveu o deputado.
A visita que não aconteceu
Beattie teria como objetivo visitar Jair Bolsonaro (PL) durante sua passagem pelo Brasil — o que, na avaliação do parlamentar, insere o episódio em um contexto mais amplo de interferência externa. O deputado classificou a vinda do assessor como parte de uma "crescente escalada de pressões externas sobre instituições brasileiras."
O contexto diplomático: vistos cancelados e assimetria nas relações
Lindbergh foi além da questão imediata e trouxe à tona um episódio anterior que, segundo ele, evidencia uma assimetria nas relações diplomáticas entre os dois países. "A medida ocorre em um contexto em que os Estados Unidos cancelaram, há meses, os vistos de familiares do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, incluindo sua esposa e sua filha de 10 anos, e até hoje não revogaram essa decisão, um gesto diplomático grave e desproporcional", afirmou o parlamentar.
A referência coloca a revogação do visto de Beattie como uma resposta proporcional a uma sequência de tensões diplomáticas, e não como um gesto isolado ou arbitrário do governo brasileiro.
Quem é Beattie — e o que Lindbergh disse sobre ele
O deputado também aproveitou a ocasião para detalhar o histórico polêmico do assessor de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos. Lindbergh destacou declarações públicas de Beattie que considera extremistas. "Beattie também é conhecido por declarações extremistas. Em outubro de 2024, publicou que 'homens brancos competentes devem estar no comando se você quiser que as coisas funcionem'", afirmou o parlamentar, citando diretamente o assessor estadunidense.
Na mesma publicação, Lindbergh reproduziu outro trecho atribuído a Beattie: "Infelizmente, toda a nossa ideologia nacional se baseia em mimar os sentimentos de mulheres e minorias e em desmoralizar homens brancos competentes."
O deputado ainda lembrou que Beattie já havia sido demitido durante o primeiro mandato de Trump após participar de um evento ligado ao nacionalismo branco, com conexões históricas ao supremacismo racial nos Estados Unidos, incluindo ambientes políticos associados à Ku Klux Klan (KKK).
Soberania como argumento central
Ao longo de sua manifestação, Lindbergh construiu um argumento que coloca a revogação do visto não como um conflito com Washington, mas como o exercício legítimo da soberania nacional. Na avaliação do deputado, o Brasil mantém abertura ao diálogo com todas as nações, mas não está disposto a tolerar o que classifica como tentativas de interferência em suas instituições democráticas — independentemente da origem.


