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Governo minimiza risco de desgaste com EUA por revogação de visto de assessor de Trump: 'reação proporcional'

Avaliação é de que a medida segue a mesma rigidez da regra aplicada pelos próprios Estados Unidos

Lula, sede do Ministério das Relações Exteriores no Brasil e Donald Trump (Foto: Divulgação I Reprodução I Reuters)

247 - A decisão do governo brasileiro de revogar o visto de Darren Beattie, conselheiro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não deve provocar um desgaste relevante nas relações diplomáticas entre Brasília e Washington. A avaliação é compartilhada por diplomatas e integrantes do primeiro escalão da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Segundo a coluna Painel, da Folha de São Paulo, autoridades do governo consideram que a medida adotada foi proporcional às circunstâncias do caso e não enxergam risco imediato de tensionamento com o governo estadunidense.

Embora a decisão tenha ocorrido em meio às discussões sobre a definição de uma data para um possível encontro entre Lula e Donald Trump, integrantes do governo avaliam que o episódio não deverá comprometer o diálogo bilateral. Ainda assim, algumas fontes admitem, nos bastidores, que a conversa entre os dois líderes pode acabar não acontecendo.

Um interlocutor do presidente Lula afirmou esperar que o governo estadunidense trate o episódio com maturidade. Na visão de integrantes da administração federal, a revogação do visto representou uma ‘reação proporcional’  diante das circunstâncias envolvendo o pedido de entrada no país.

Argumento do governo brasileiro

Autoridades brasileiras lembram que a legislação dos Estados Unidos prevê restrições rigorosas para pessoas que fornecem informações incorretas ao solicitar um visto. A seção 212 da Lei de Imigração e Nacionalidade estabelece que indivíduos que apresentem dados falsos durante o processo podem ter o pedido negado.

Em alguns casos, essa regra pode resultar em inelegibilidade permanente, o que significa que novos pedidos de visto são automaticamente recusados pelo mesmo motivo. Na avaliação de um alto funcionário do governo brasileiro, diante da rigidez aplicada pelas autoridades estadunidenses em situações semelhantes, uma reação do Brasil ‘na mesma moeda’ seria o mínimo esperado.

Motivo da revogação do visto

Fontes do Itamaraty afirmam que a revogação do visto ocorreu porque Darren Beattie teria apresentado informações incorretas sobre o objetivo da viagem ao Brasil. Ao solicitar a autorização para entrar no país, o conselheiro de Donald Trump informou que participaria de uma conferência sobre minerais críticos prevista para a semana seguinte, além de realizar reuniões oficiais com integrantes do governo brasileiro.

Entretanto, segundo diplomatas, Beattie não chegou a solicitar formalmente qualquer reunião com o Ministério das Relações Exteriores. De acordo com relatos de autoridades, o conselheiro pretendia, na verdade, se encontrar com Jair Bolsonaro (PL) na unidade prisional conhecida como Papudinha, onde ele cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tramar um golpe de Estado. 

Na decisão que negou a visita, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, afirmou que a viagem de Darren Beattie não se enquadrava em um contexto diplomático oficial.

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