HOME > Sudeste

Alesp abre processo que pode cassar parlamentar bolsonarista Lucas Bove por violência política de gênero

Conselho de Ética aprovou por unanimidade abertura de ação disciplinar contra deputado do PL

Lucas Bove (Foto: Reprodução/X)

247 - O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) aprovou por unanimidade, nesta terça-feira (24), a abertura de processo disciplinar que pode resultar na cassação do mandato do deputado Lucas Bove (PL). A representação foi apresentada pela deputada Mônica Seixas (PSOL), que acusa o bolsonarista de violência política de gênero após uma discussão ocorrida em setembro de 2025 no plenário. As informações são do jornal Folha de São Paulo.

O episódio envolveu, além de Mônica, as deputadas Paula Nunes (PSOL) e Professora Bebel (PT). Segundo relato feito durante a sessão, Bove discutia com Bebel com o dedo em riste e afirmou: "Eu falo do jeito que eu quiser". A transmissão da sessão pela TV Alesp foi interrompida após a suspensão dos trabalhos. O relator do processo será o deputado Emídio de Souza (PT). Além disso, Bove é réu na Justiça de São Paulo sob acusação de ter agredido a ex-mulher, a influenciadora Cíntia Chagas.

O Conselho agora ouvirá testemunhas e abrirá prazo para apresentação da defesa. Ao final, poderá recomendar advertência, suspensão ou cassação do mandato, decisão que será submetida ao plenário da Casa. Emídio afirmou: "Vou analisar todas as provas e depoimentos", garantindo a ampla defesa antes da elaboração do relatório.

Acusações e manifestações

Mônica Seixas declarou que ficou surpresa com a decisão e afirmou que há uma "tarefa pedagógica pela defesa da vida das mulheres aqui na Alesp". Paula Nunes sustentou que o caso não deve ser tratado como "briguinha de plenário". Durante a sessão do Conselho de Ética, deputadas colaram nas cadeiras do Plenário Tiradentes nomes de vítimas de feminicídio. Um grupo de mulheres acompanhou a reunião com cartazes contendo frases como "vivas" e "vamos cassar machistas".

Ao justificar seu voto, o deputado Eduardo Nóbrega (Podemos) afirmou que a situação "beira, se não infringe, o decoro parlamentar". Já Rafael Saraiva (União) disse que as alegações "refletem um possível crime". Emídio de Souza também observou que há apenas uma mulher entre os oito integrantes do Conselho de Ética e afirmou que "só a composição deste conselho já demonstra, em si, o desequilíbrio que existe nesta Casa".

Defesa de Bove

Em nota, Lucas Bove afirmou que o caso se tornou um julgamento político. Segundo ele, "Fui denunciado por conta de uma discussão acalorada em plenário". O deputado declarou ainda que "não se tratou de um julgamento de mérito, mas sim político". Bove argumentou que sua representação contra Mônica e Paula, sob alegação de tentativa de imputação de crimes, foi arquivada na mesma sessão. Ele também questionou: "Qual ética e/ou decoro que tem um parlamentar que xinga outro?"

Outra representação envolvendo Bove e o deputado Tenente Coimbra (PL) foi aprovada no mesmo dia, após ambos terem chamado a deputada Ediane Maria (PSOL) de acéfala em dezembro passado. O pedido foi aprovado por 3 votos a 2. Eduardo Nóbrega será o relator desse caso.

Artigos Relacionados