"A direção do colégio chamou a polícia para nos reprimir", diz estudante agredida por PM
Em entrevista à TV 247, estudantes relatam violência policial que sofreram no Colégio Amaro Cavalcanti, no Rio de Janeiro
247 - Mais um caso de violência policial tomou conta do noticiário brasileiro na quarta-feira (25). A estudante Marissol Lopes (19) e o estudante Theo Oliveira (18) foram agredidos por um policial militar dentro de uma escola pública no Rio de Janeiro. O caso aconteceu no tradicional colégio estadual Amaro Cavalcanti – rebatizado recentemente como Senor Abravanel, em homenagem ao apresentador Silvio Santos, morto em 2024 – que fica no Largo do Machado, Zona Sul da cidade, e mais uma vez reacende o debate sobre a presença de policiais dentro de instituições de ensino. O programa “O Dia em 30 Minutos”, apresentado por Ricardo Nêggo Tom, na TV 247, entrevistou os dois estudantes, que deram detalhes sobre o ocorrido.
Marissol Lopes, que é presidente da AMES-RJ (Associação Municipal dos Estudantes Secundaristas), explica que ela e mais quatro estudantes estavam colhendo assinaturas para um abaixo-assinado que tinha por objetivo o afastamento de um professor da unidade, acusado de assédio sexual, mas que continuava lecionando normalmente no colégio com a anuência da direção. “Não fomos os únicos a experimentar esta situação. Cotidianamente, a direção da escola, que não tem nenhuma proposta pedagógica a nível disciplinar, chama a polícia para reprimir os estudantes. Como eles não sabem sequer os nomes dos alunos e nem conhecem os pais deles, a violência é a solução que encontram para resolver qualquer tipo de situação”, denuncia a estudante.
Marissol disse que muitas alunas se desligaram do colégio após sofrerem assédio por parte do professor denunciado e não terem sido acolhidas pela direção. Segundo ela, “muitas alunas se retiravam das aulas deste professor por não se sentirem seguras na presença dele. E não foram poucas as meninas que foram vítimas deste fascista, que é declaradamente bolsonarista e defendia sua ideologia na sala de aula. Assim como o diretor do colégio, que é declaradamente de extrema-direita e já declarou não ter nenhuma simpatia por movimentos sociais e inclusivos". A estudante ainda revela que a direção já havia acionado a polícia contra os estudantes para impedir a formação de um grêmio estudantil dentro do colégio.
Perguntado se as agressões teriam continuado após a interrupção da gravação do vídeo que circula pelas redes sociais e mostra o policial desferindo tapas e socos contra Marissol, o estudante Theo Oliveira — que é diretor da AMES-RJ e aparece sendo empurrado pelo PM — diz que elas continuaram e que o agente ainda fez uso de gás pimenta contra os estudantes. Ele conta que “quando a situação ficou mais acalorada, o nosso colega que estava gravando o vídeo interrompeu a gravação e foi tentar nos proteger das agressões, pedindo calma ao policial. Neste momento, o policial criminoso tirou um spray de pimenta do bolso e disparou contra o rosto da Marissol e veio na minha direção para disparar no meu rosto também. Quando eu levantei o braço para me proteger, ele me derrubou no chão e continuou a me agredir quando eu estava caído”.
O caso foi registrado na 9ª Delegacia de Polícia (DP) do Catete, também na Zona Sul da cidade, e o policial identificado como subtenente Ricardo Telles Noronha Junior, do Batalhão de Choque da PMERJ, foi afastado de suas funções para investigação do ocorrido. Outra policial que se encontrava no colégio no momento das agressões, a soldado Crislane Martins da Silva, também foi incluída no boletim de ocorrência, mas não há informações quanto ao seu afastamento. A estudante Marissol Lopes — que é transexual — diz não ter identificado um viés transfóbico nas agressões cometidas pelo policial, mas denuncia que já teria sido vítima de transfobia quando era estudante do mesmo colégio e que, durante o episódio, a direção o tempo inteiro se dirigiu a ela usando o seu nome “morto”, e que o mesmo teria ocorrido na delegacia por ocasião do registro de ocorrência.
Assista à entrevista completa na TV 247.


