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Liquidação da Entrepay levanta riscos para Mastercard, Visa e Nubank no setor financeiro brasileiro

Banco Central intervém em conglomerado de pagamentos e aponta irregularidades, mas descarta impacto sistêmico e efeitos sobre o FGC

Liquidação da Entrepay levanta riscos para Mastercard, Visa e Nubank no setor financeiro brasileiro (Foto: Divulgação)

247 - A liquidação extrajudicial da Entrepay e de outras duas empresas do mesmo conglomerado, determinada pelo Banco Central na sexta-feira (27), acendeu um alerta no setor de meios de pagamento. A companhia atuava como adquirente, conectando estabelecimentos comerciais às principais bandeiras de cartão, o que pode gerar impactos para empresas como Mastercard, Visa e Nubank.

A exposição dessas instituições ainda está em processo de avaliação, mas, até o momento, não há indícios de efeitos amplos sobre o sistema financeiro. A atuação da Entrepay, embora relevante em nichos específicos, era considerada de pequeno porte dentro do mercado nacional.

A autoridade monetária justificou a intervenção com base no comprometimento da situação econômico-financeira das empresas, além de irregularidades no cumprimento das normas que regem o setor. Segundo o Banco Central, foram identificados prejuízos que colocavam credores sob risco considerado anormal, o que motivou a liquidação imediata.

Apesar da gravidade das falhas apontadas, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) não será acionado. As empresas envolvidas operavam como instituições de pagamento e sociedade de crédito direto, sem captação de recursos por meio de instrumentos cobertos pelo fundo, como depósitos bancários.

O caso também levanta questionamentos sobre a estrutura de controle do conglomerado. Há suspeitas de que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, atuaria de forma indireta na operação da Entrepay. O diretor da empresa, Antônio Carlos Freixo Júnior — que teve bens tornados indisponíveis — é apontado como figura central na condução das atividades do grupo.

Mesmo diante das irregularidades e da intervenção regulatória, o impacto sobre o sistema financeiro nacional tende a ser limitado. O conglomerado estava classificado no segmento 4 (S4) da regulação prudencial, com participação de apenas 0,009% nos ativos totais do Sistema Financeiro Nacional.

O episódio reforça a vigilância do Banco Central sobre instituições de menor porte e evidencia os riscos associados à governança e à supervisão no setor de pagamentos, em um momento de expansão e crescente complexidade desse mercado no Brasil.

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