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Nubank afirma que liquidação da Entrepay não gera impacto material à companhia

BC liquida empresa de pagamentos por irregularidades e fragilidade financeira; mercado avalia efeitos sobre bandeiras de cartão

Nubank (Foto: Paulo Whitaker/Reuters)

247 - O Nubank informou nesta sexta-feira (27) que não deve sofrer impactos relevantes com a liquidação extrajudicial da Entrepay, determinada pelo Banco Central. A instituição destacou que já havia encerrado suas operações com a empresa anteriormente, dentro de um processo interno de revisão.

Em nota, o banco digital afirmou: “como parte de seus processos de revisão, o Nubank encerrou as operações com a Entrepay, originadas dentro de um arranjo de pagamentos regulamentado, com salvaguardas operacionais e jurídicas específicas. Trata-se de um caso isolado em uma única credenciadora, sem impacto material para a companhia”.

A Entrepay atuava como adquirente, responsável por processar transações entre estabelecimentos comerciais e bandeiras de cartões. A liquidação atingiu também outras duas instituições do mesmo conglomerado prudencial, após o Banco Central identificar deterioração financeira, descumprimento de normas regulatórias e riscos aos credores.

Embora o Nubank minimize os efeitos do episódio, o mercado ainda avalia possíveis consequências para outras empresas ligadas ao sistema de pagamentos. Bandeiras como Mastercard e Visa também mantinham algum nível de relação com a Entrepay, o que levanta incertezas sobre eventuais desdobramentos.

Por outro lado, não há expectativa de impacto para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), uma vez que as instituições envolvidas não captavam recursos por meio de instrumentos protegidos pelo fundo.

O Banco Central ressaltou que o conglomerado Entrepay tinha participação reduzida no sistema financeiro, enquadrado no segmento 4 (S4) da regulação prudencial, representando apenas 0,009% do total de ativos do setor. Avaliações preliminares indicam que não há risco sistêmico decorrente da liquidação.

As investigações sobre a estrutura da empresa também avançam. Autoridades suspeitam que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, atuava como um “dono oculto” da Entrepay. Já o diretor Antônio Carlos Freixo Júnior, que teve bens tornados indisponíveis, é apontado como operador responsável por utilizar a estrutura do conglomerado em benefício de Vorcaro.

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