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Latam acelera recuperação e se destaca no setor aéreo após a pandemia

Companhia registra crescimento consistente, melhora resultados financeiros e se beneficia de estratégia eficiente em meio às dificuldades das concorrentes

LATAM Brasil reduziu mais de 46,2 mil toneladas de CO2 no primeiro semestre de 2025 graças a ações voluntárias de otimização operacional (Foto: Divulgação LATAM)

247 - A Latam, primeira companhia aérea brasileira a recorrer à recuperação judicial em razão dos impactos econômicos da pandemia de covid-19, apresenta hoje um quadro de retomada sólida e sustentada. Após atravessar o período mais crítico da crise, a empresa não apenas reorganizou suas operações como passou a registrar resultados superiores aos de boa parte do setor, em um momento em que concorrentes ainda enfrentam desafios financeiros relevantes. As informações são do jornal Estado de São Paulo.

A saída do processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, em novembro de 2022, marcou o início de uma sequência de avanços consistentes. Desde então, o lucro operacional da Latam cresceu mais de 10% em todos os trimestres na comparação anual, enquanto o lucro destinado aos acionistas também apresentou alta semelhante na maior parte do período, com exceção do segundo trimestre de 2024. No mercado financeiro, esse desempenho se refletiu na valorização dos papéis negociados em Nova York, que acumularam alta de 118% em um ano.

Analistas do mercado apontam a gestão eficiente como um dos principais motores dessa recuperação. A companhia conseguiu controlar custos e ajustar a precificação das passagens de forma a assegurar rentabilidade e crescimento sustentável. Além disso, o ambiente macroeconômico, com dólar e petróleo em níveis mais estáveis e demanda aquecida por viagens, contribuiu para o fortalecimento do setor aéreo como um todo.

Outro elemento citado por especialistas é o contexto competitivo. Enquanto a Gol saiu da recuperação judicial em junho e a Azul entrou nesse processo em maio, a situação financeira mais delicada das concorrentes acabou favorecendo a Latam. Para analistas do BTG Pactual, esse conjunto de fatores forma “uma combinação e tanto” para uma empresa aérea. Em relatório divulgado em novembro, o banco avaliou que os resultados trimestrais apresentados ao longo de 2024 e 2025 seguiram um “padrão repetidamente bem-sucedido”, resumido na sequência “superar, elevar, repetir”.

Avaliação semelhante foi feita pelo Itaú BBA, que destacou o desempenho acima da média da companhia em relatório intitulado “Rali em pleno voo”. O banco observou melhora nas condições de endividamento e estimou que a reestruturação permitirá uma economia anual de cerca de US$ 33 milhões. Os analistas também indicaram que, enquanto Gol e Azul estiverem em processo de reorganização, os preços das passagens devem permanecer em níveis considerados saudáveis para as empresas, o que tende a beneficiar a Latam.

Entre os pontos estratégicos ressaltados pelo Itaú BBA está a encomenda de aeronaves da Embraer. Em setembro, a Latam anunciou a compra de 24 jatos E195-E2, com opção de ampliar o pedido para até 74 unidades. Com capacidade entre 120 e 146 passageiros, esses aviões são menores do que os atualmente utilizados em voos domésticos e permitem atender cidades do interior que não comportam aeronaves maiores, hoje com cerca de 200 assentos.

Segundo o relatório do banco, a incorporação desses modelos pode impulsionar a expansão da companhia nos próximos anos. “O tráfego doméstico no Brasil tem liderado o crescimento de ASK (métrica que mede a oferta de assentos disponíveis para venda) da companhia (11% a/a no acumulado do ano), e a adição desses novos (e mais eficientes) jatos à frota da Latam deve proporcionar uma potencial aceleração do crescimento quando as operações tiverem início”, afirmaram os analistas.

A empresa espera começar a receber os aviões a partir do segundo semestre deste ano e já iniciou a contratação de pilotos para operar as novas aeronaves. Tanto BTG quanto Itaú avaliam que ainda há espaço para a continuidade da valorização das ações da Latam.

Ao comentar os resultados recentes, o CEO da Latam no Brasil, Jerome Cadier, reconheceu que as dificuldades enfrentadas pelas concorrentes tiveram algum impacto positivo, mas ressaltou que esse não foi o fator decisivo. “Tem mais a ver com o meu desempenho do que com o desempenho do outro”, afirmou em entrevista ao Estadão.

Cadier destacou ainda que a renegociação de contratos com praticamente todos os fornecedores no início da pandemia permitiu que a empresa estivesse bem posicionada, com custos reduzidos, no momento da retomada da demanda. Paralelamente, a Latam passou a investir na melhoria de seus serviços para atrair clientes de maior valor, que viajam com mais frequência e pagam tarifas mais altas, estratégia que, segundo o executivo, tem garantido uma receita maior por assento.

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