GPA renegocia dívida com apoio de 57% dos credores e reforça liquidez no curto prazo
Companhia teve adesão de 57% dos credores e estima alívio de caixa superior a R$ 4,5 bilhões.
247 - O Grupo Pão de Açúcar concluiu a renegociação de sua dívida no âmbito da recuperação extrajudicial, com apoio de 57% dos credores não operacionais, e estima um alívio de caixa superior a R$ 4,5 bilhões nos próximos anos.
A operação envolve aproximadamente R$ 4,6 bilhões em dívidas e foi estruturada para reduzir a pressão financeira de curto prazo, alongar vencimentos e adequar o passivo à capacidade de geração de caixa da companhia. Segundo o GPA, o acordo também deve levar a uma redução de mais de R$ 2 bilhões no endividamento.
A adesão superou o mínimo legal exigido para a recuperação extrajudicial. O plano inclui dois anos de carência, redução do custo financeiro e uma combinação de instrumentos voltados a credores apoiadores e não apoiadores.
Estrutura do acordo
Para os credores que aderiram à proposta, o GPA estruturou uma emissão de cerca de R$ 2,6 bilhões. Desse total, R$ 1,5 bilhão será em debêntures com dois anos de carência e amortização entre 2028 e 2031.
Os pagamentos dessas debêntures serão distribuídos em 4% em 2028, 4% em 2029, 16% em 2030 e 76% em 2031. Outros R$ 1,1 bilhão correspondem a instrumentos conversíveis em ações, com janelas de conversão previstas para o primeiro semestre de 2027, 2029, 2030 e 2031.
A adesão a essa estrutura depende da concessão de novos recursos à companhia. Cada credor deverá aportar o equivalente mínimo a 20% de sua exposição, por meio de instrumentos como capital de giro, risco sacado ou novas debêntures. O GPA busca ainda levantar cerca de R$ 200 milhões adicionais para reforçar a liquidez no curto prazo.
No caso dos credores não apoiadores, aproximadamente R$ 2 bilhões em dívidas foram reestruturados com deságio de 70%, reduzindo esse valor para cerca de R$ 600 milhões, com vencimento em 2036. Nessa modalidade, o pagamento de juros começa apenas em 2032.
“Quando você combina essas três frentes, chega a uma dívida final próxima de R$ 2,1 bilhões, cerca de 45% do valor original”, afirmou o diretor financeiro do GPA, Pedro Albuquerque, em entrevista ao Broadcast.
Com a reestruturação, a dívida sujeita à recuperação extrajudicial passa a cerca de R$ 2,1 bilhões. Mais de 70% dos pagamentos ficarão concentrados apenas a partir de 2031, o que reduz a necessidade de desembolsos no curto prazo.
Segundo a companhia, o acordo deve reduzir em aproximadamente R$ 4,5 bilhões o desembolso financeiro nos próximos dois anos, em comparação com uma necessidade anterior estimada em R$ 5,2 bilhões.
Razões para a recuperação extrajudicial
O presidente do GPA, Alexandre Santoro, afirmou que a renegociação foi necessária para corrigir um desequilíbrio entre o desempenho operacional da empresa e o volume de passivos acumulados.
“O que nos levou à recuperação extrajudicial foi um desequilíbrio entre a realidade operacional da empresa e os passivos”, disse Santoro.
Segundo ele, a recuperação extrajudicial foi adotada como instrumento para adequar a estrutura de capital à geração de caixa da companhia.
“A recuperação não era um objetivo em si, mas um instrumento para trazer a dívida para a realidade da empresa”, afirmou.
Santoro também afirmou que a renegociação muda de forma relevante a posição financeira do GPA.
“É uma nova companhia em termos de liquidez e disponibilidade financeira”, declarou.
Operação das lojas foi preservada
Durante o processo de renegociação, o GPA afirma que manteve suas atividades normalmente, sem interrupção no funcionamento das lojas nem impacto na relação com fornecedores.
“A empresa rodou super bem ao longo desse processo, sem interrupção em nenhuma hipótese”, afirmou Santoro.
Com a nova estrutura de capital, a empresa avalia que terá mais condições de direcionar recursos à operação e aos pontos de venda.
“Agora, passamos a ter mais capacidade de investir nas lojas e melhorar a experiência do cliente”, disse o presidente do GPA.
Próximos passos
O plano ainda depende de homologação judicial para entrar em vigor. Segundo Pedro Albuquerque, o acordo seguirá aberto à adesão de outros credores durante o processo, embora uma eventual ampliação não altere a estrutura financeira já definida.
Com a liquidez preservada, o GPA afirma que manterá o foco na expansão de margens, no crescimento das vendas e no tratamento dos passivos remanescentes.
“A nova estrutura de capital é um passo importante dentro de uma transformação mais ampla, com foco na recuperação consistente da rentabilidade”, afirmou Santoro.



