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      Sem citar Trump, Lula critica ‘protecionismo, unilateralismo e imposições hegemônicas’

      Ao lado de Bola Tinubu, presidente defende livre comércio, multilateralismo e reaproximação com a África, e diz que Brasil “voltou” ao continente

      Brasília (DF) 25/08/2025 - Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante reunião ampliada com o presidente da Nigéria, Bola Tinubu, no Palácio do Planalto (Foto: José Cruz/Agência Brasil)
      Guilherme Levorato avatar
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      247 - Em declaração à imprensa nesta segunda-feira (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou “o protecionismo, o unilateralismo e as imposições hegemônicas”, sem citar Donald Trump, o atual presidente dos Estados Unidos. As afirmações foram feitas ao lado do presidente da Nigéria, Bola Tinubu, que realiza visita oficial ao Brasil. O encontro marca uma tentativa de relançar a parceria bilateral.

      O petista afirmou que, na última década, o comércio entre os dois países desabou, e defendeu uma agenda de livre comércio, integração produtiva e cooperação política em fóruns multilaterais. “A Nigéria foi nosso maior parceiro comercial na África, mas na última década o intercâmbio diminuiu drasticamente. De US$ 10 bilhões em 2014, passamos a US$ 2 bilhões em 2024”, disse. “Nos últimos governos o Brasil se distanciou da África. duas das maiores economias da América Latina e da África devem ter um intercâmbio muito maior”, acrescentou.

      Lula listou avanços recentes na relação e novos instrumentos que, segundo ele, devem ampliar o diálogo e os investimentos. “Nos últimos meses, nossas equipes mantiveram contatos. Nesse período assinamos vários acordos sobre defesa, agricultura, pecuária, segurança, produção audiovisual, comércio, investimentos, turismo e energia. Hoje estamos firmando mais cinco acordos, nas áreas cultural, de serviços aéreos, de tecnologia e de diálogo político”, afirmou.

      O presidente vinculou a aproximação à necessidade de respostas multilaterais diante do aumento de barreiras econômicas. “Nesse momento em que ressurgem o protecionismo e o unilateralismo, Nigéria e Brasil reafirmam sua aposta no livre comércio e na integração produtiva. Seguimos empenhados na construção de um mundo de paz e livres de imposições hegemônicas. São muitas as possibilidade de sinergia entre os dois países”, declarou.

      Ao projetar a inserção internacional de Abuja, Lula destacou o peso demográfico e territorial da Nigéria, seu vínculo com o bloco das economias emergentes e a convergência de agendas no chamado Sul Global. “Com seus 230 milhões de habitantes e seu imenso e rico território, a Nigéria é um parceiro dos BRICS e um importante ator nos debates sobre as reformas das instituições de governança global. A Nigéria possui todas as credenciais para se tornar membro pleno do G20”, disse, defendendo também a reforma do Conselho de Segurança da ONU: “Nossas regiões precisam estar adequadamente representadas em um Conselho de Segurança da ONU reformado. Reafirmamos nosso compromisso com o multilateralismo, com a OMC.”

      Lula situou a reaproximação em um contexto histórico e cultural, ao afirmar que o Brasil tem “obrigação” de cooperar com o continente africano, especialmente em transferência de tecnologia e políticas agrícolas. “O Brasil tem uma preocupação muito peculiar e particular com nossa relação com todo o continente africano. O Brasil tem noção do que significa nossa história, nossa cultura, nosso jeito de ser, nosso jeito de ser, nossa cor, nossa música, com 350 anos de escravidão a que o povo negro africano foi submetido aqui no Brasil. E a única forma de a gente pagar não pode ser mensurada em dinheiro. Tem que ser mensurada em solidariedade, alinhamento político, econômico e cultural, porque o Brasil tem que a ajudar a África transferindo tecnologia, conhecimento, tudo aquilo que a gente aprendeu aqui no Brasil e deu certo, sobretudo na área agrícola”, afirmou.

      Ele disse que a visita de Tinubu simboliza a “volta” do Brasil ao continente africano, com ênfase em uma parceria “solidária, fraterna e igualitária”. “O Brasil tem obrigação de ajudar o continente africano a ter o mesmo desenvolvimento que tivemos aqui. Nós já pensamos nisso há muito tempo e depois não andou. Mas agora, presidente Tinubu, pode estar certo de que essa sua vinda ao Brasil hoje significa definitivamente a volta do BRasil ao continente africano - não como país que quer ter relação hegemônica com ninguém, mas que quer ter uma relação solidária, fraterna, igualitária, pensando no crescimento do povo africano e no crescimento do povo brasileiro. Hoje é um dia muito importante para mim, para o meu país e, pode ter certeza, vai ser um dia muito importante para a história da Nigéria”, concluiu.

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