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Plano dos EUA que assassinou Ali Khamenei usou câmeras de trânsito hackeadas e vigilância com IA

Ataque de Washington e Israel recorreu a monitoramento em tempo real para matar o líder supremo do Irã

Ali Khamenei - 28/02/2026 -REUTERS/Akhtar Soomro (Foto: Akhtar Soomro)

247 - O plano dos Estados Unidos que resultou no assassinato do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, contou com um sistema de inteligência que incluiu o uso de câmeras de trânsito hackeadas em Teerã. Segundo um oficial israelense, as câmeras, invadidas anos antes, permitiram o monitoramento em tempo real de alvos na capital iraniana. O recurso possibilitou mapear a cidade com precisão, identificar padrões de deslocamento e construir um panorama detalhado das atividades internas. As informações são da CNN Brasil.

As câmeras integravam um sistema mais amplo, descrito por uma fonte israelense como uma "máquina de produção de alvos" com uso de inteligência artificial. O mecanismo foi capaz de processar grande volume de dados para identificar coordenadas exatas dos objetivos militares. Entre as informações utilizadas estavam inteligência visual, dados humanos, sinais eletrônicos, comunicações interceptadas e imagens de satélite.

O cruzamento desses elementos resultava em uma coordenada de grade de 14 dígitos, apontando a localização precisa dos alvos. A operação exigiu infraestrutura tecnológica robusta e equipes especializadas para validar as recomendações de ataque. O sistema foi desenvolvido ao longo da última década e contou com tecnólogos, analistas de dados e engenheiros.

Histórico de operações

Israel já havia empregado recursos semelhantes na guerra de 12 dias contra o Irã em junho do ano passado. Na ocasião, as Forças de Defesa de Israel utilizaram as mesmas capacidades no ataque inicial, que resultou no assassinato de um alto oficial militar iraniano, do chefe da Guarda Revolucionária Islâmica e de um assessor próximo de Khamenei.

No sábado (28), quando Estados Unidos e Israel lançaram uma agressão conjunta contra o Irã, o sistema voltou a ser utilizado. O principal alvo era Khamenei, que, segundo autoridades israelenses, se considerava menos vulnerável durante o dia. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, havia afirmado anteriormente que o líder supremo não pôde ser atingido em junho porque teria se refugiado em bunkers subterrâneos.

Coordenação entre EUA e Israel

Embora Estados Unidos e Irã estivessem em negociações, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, avaliava que as tratativas não resultariam em acordo. O primeiro-ministro israelense reuniu-se com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca em 11 de fevereiro.

O encontro tratou do cenário após eventual fracasso das negociações com Teerã. O premiê apresentou novas informações de inteligência sobre as capacidades militares iranianas. Na sexta-feira (27), às 15h38 no horário do leste dos EUA, Trump autorizou o início da operação. De acordo com o general Dan Caine, principal oficial das Forças Armadas dos EUA, a mensagem enviada dizia: "Operação Fúria Épica aprovada. Sem abortos. Boa sorte".

Em coletiva na segunda-feira (2), Caine afirmou: "Este foi um ataque diurno baseado em um evento desencadeador conduzido pelas Forças de Defesa de Israel, com o apoio da Comunidade de Inteligência dos EUA". A confirmação do assassinato de Khamenei ocorreu na manhã de domingo (1º), quando a emissora estatal iraniana anunciou: "O Líder Supremo do Irã alcançou o martírio".

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