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Lavrov diz que ordem global baseada no dólar está em colapso

Em entrevista à TV BRICS, chanceler russo afirma que declínio da hegemonia econômica do Ocidente é irreversível

Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, fala durante uma reunião do Conselho de Segurança à margem da 79ª Assembleia Geral das Nações Unidas na sede da ONU em Nova York, EUA, 27 de setembro de 2024 (Foto: REUTERS/Eduardo Munoz)

247 - O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou que a ordem internacional construída em torno do domínio do dólar e sustentada por instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial e a Organização Mundial do Comércio (OMC) está condenada diante do avanço econômico dos países do BRICS.

As declarações foram dadas em entrevista à rede internacional TV BRICS e divulgadas nesta segunda-feira (9) pelo portal Sputnik Internacional, que destacou a avaliação do chanceler russo sobre o enfraquecimento do modelo econômico liderado pelo Ocidente.Lavrov declarou que as tentativas ocidentais de conter essa transição não terão êxito. Segundo ele, a mudança no equilíbrio global é inevitável. “É um processo objetivo e irreversível”, afirmou.O chanceler apontou que, nos últimos anos, o desempenho econômico dos países do BRICS tem se destacado. “Há vários anos, as taxas de crescimento e os volumes do PIB dos países do BRICS, em termos de paridade do poder de compra, têm superado substancialmente o PIB combinado do G7”, disse Lavrov.

Durante a entrevista, Lavrov afirmou que países como Rússia, Índia, China, Indonésia e Brasil seguem abertos à cooperação com todas as nações, inclusive os Estados Unidos. No entanto, acusou Washington de adotar estratégias para bloquear relações comerciais e limitar o acesso a recursos energéticos russos.

“Eles estão tentando impedir que a Índia e nossos outros parceiros comprem recursos energéticos russos baratos e acessíveis, e os estão forçando a comprar GNL americano a preços exorbitantes”, declarou.Para Lavrov, esse tipo de pressão revela uma tentativa explícita de assegurar supremacia econômica. “Isso significa que os americanos se propuseram a tarefa de alcançar a dominação econômica”, acrescentou.

O ministro russo também argumentou que os Estados Unidos buscam manter sua influência global por meio de medidas coercitivas, que, segundo ele, são incompatíveis com regras de concorrência justa no comércio internacional.

“Tarifas, sanções, proibições diretas, impedimento de alguns de interagirem com outros – temos que levar tudo isso em consideração”, afirmou Lavrov.

Ele avaliou que tais mecanismos demonstram como o objetivo americano de dominar a economia mundial estaria sendo implementado. Segundo Lavrov, trata-se de uma política baseada em coerção e pressão sobre parceiros estratégicos.

Grande Parceria Eurasiática 

Lavrov também abordou a proposta de reorganização regional na Eurásia, defendendo que a construção de um sistema de segurança comum depende do fortalecimento de alianças econômicas e políticas entre organizações regionais.

Ele citou a Grande Parceria Eurasiática como base material para um novo arranjo de segurança continental. Para o chanceler, quanto mais sólidas forem as conexões entre blocos regionais e sub-regionais, mais consistente será a construção de um modelo compartilhado.

Nesse contexto, Lavrov destacou a cooperação entre a União Econômica Eurasiática, a Organização de Cooperação de Xangai (OCX) e a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).

“A parceria em desenvolvimento está enraizada nas relações entre a União Econômica Eurasiática, a Organização de Cooperação de Xangai e a ASEAN”, afirmou.

Lavrov acrescentou que esse processo também considera o projeto estratégico chinês de integração comercial e logística global.

“Nesse contexto, eles também levaram em consideração a iniciativa ‘Um Cinturão, Uma Rota’ da República Popular da China”, concluiu.

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