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Irã celebra vitória na guerra contra os Estados Unidos e Israel

Cessar-fogo de duas semanas é anunciado como vitória iraniana e abre caminho para negociações permanentes em Islamabad

Uma pessoa segura uma imagem do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, durante manifestação de iranianos em protesto contra os ataques dos EUA e de Israel, em Teerã, Irã, 28 de fevereiro de 2026 (Foto: Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS)

247 - O Irã anunciou um acordo de cessar-fogo de duas semanas, apresentado como uma vitória estratégica no conflito contra Estados Unidos e Israel, abrindo espaço para negociações de um acordo permanente que deverão ocorrer em Islamabad. A trégua foi confirmada pelas autoridades iranianas e envolve compromissos iniciais que incluem garantias de não agressão e discussões sobre sanções e presença militar na região.

A informação foi divulgada na terça-feira (7) por meio de comunicado do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, publicado pela agência Mehr News Agency, que confirmou o acordo mediado pelo Paquistão e aprovado pelo novo líder supremo, aiatolá Mojtaba Khamenei.

Segundo o comunicado, o entendimento representa uma “vitória para o Irã” e resulta de um plano de dez pontos que teria sido aceito, em princípio, pelos Estados Unidos. Entre os compromissos listados estão a garantia de não agressão, o reconhecimento do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz, a aceitação do enriquecimento de urânio, o levantamento de sanções primárias e secundárias e o fim de resoluções do Conselho de Segurança da ONU e da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

O texto também menciona a previsão de compensações ao Irã pelos danos sofridos, a retirada de forças militares americanas da região e a interrupção das hostilidades em múltiplas frentes, incluindo operações relacionadas ao Líbano.

O Conselho atribui o desfecho do conflito ao que descreve como resistência militar e mobilização popular. “O inimigo, na sua guerra injusta, ilegal e criminosa contra a nação iraniana, sofreu uma derrota inegável, histórica e esmagadora”, afirma o documento. A declaração ainda credita o resultado à liderança do aiatolá Mojtaba Khamenei e ao “sacrifício do líder mártir da Revolução Islâmica, o Grande Aiatolá Imam Khamenei”.

De acordo com o comunicado, os últimos 40 dias foram marcados por ações coordenadas do Irã e de aliados regionais no Líbano, Iraque, Iêmen e territórios palestinos. O texto afirma que essas ofensivas causaram impactos significativos na estrutura militar, econômica e política dos adversários, levando-os a aceitar negociações.

O Conselho também sustenta que, no início do conflito, os adversários acreditavam ser possível impor uma derrota rápida ao Irã, neutralizando suas capacidades militares e promovendo instabilidade interna. Segundo a declaração, esse cenário não se concretizou diante da resposta regional e da continuidade das operações militares iranianas.

Apesar do anúncio da trégua, o órgão ressalta que a consolidação do acordo ainda depende de negociações adicionais e da manutenção da unidade interna. “A finalização dos seus detalhes ainda requer perseverança, liderança prudente e unidade”, destaca o texto.

As negociações para um acordo definitivo devem ocorrer em Islamabad, sob mediação paquistanesa, segundo o próprio Conselho Supremo de Segurança Nacional.

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