Governo do Reino Unido sinaliza posição favorável à divulgação de documentos sobre ex-príncipe Andrew
Decisão ocorre após pressão do Parlamento e prisões relacionadas ao caso Epstein
247 - O governo do Reino Unido declarou nesta terça-feira (24), em Londres, ser favorável à divulgação de documentos relacionados à nomeação do ex-príncipe Andrew como representante especial para o Comércio Internacional em 2001. A discussão ganhou força depois da prisão do irmão do rei Charles III na semana passada, em conexão com o caso envolvendo o criminoso sexual Jeffrey Epstein.
Segundo a AFP, após o Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgar arquivos do financista, Andrew Mountbatten-Windsor tornou-se suspeito de má conduta durante o período em que ocupou cargo público. Até o momento, não há nenhuma acusação formal apresentada contra ele.
No Parlamento, o ministro do Comércio, Chris Bryant, declarou apoio à moção apresentada pelo Partido Liberal Democrata para que o governo trabalhista torne públicos os documentos sobre a nomeação do ex-príncipe. “Deixe-me ser claro desde o início. Apoiamos esta moção”, afirmou. Bryant descreveu Andrew como “um homem em uma constante busca por autoengrandecimento e enriquecimento pessoal”.
Prisão de Mandelson
A manifestação do governo ocorreu horas depois de a polícia libertar sob fiança o ex-embaixador britânico nos Estados Unidos, Peter Mandelson. Ele foi preso na segunda-feira (23) sob suspeita de negligência no cumprimento do dever durante seu mandato como chefe do Departamento da Indústria no governo trabalhista, entre 2008 e 2010.
As revelações também aumentaram a pressão sobre o primeiro-ministro Keir Starmer. Mandelson foi retirado do cargo de embaixador em setembro de 2025 após novas informações que o ligavam a Epstein. Starmer pediu desculpas às vítimas e afirmou há duas semanas que seu governo permanece “forte e unido”.
Pressão por transparência
Documentos já divulgados indicam que Andrew pode ter repassado informações confidenciais a Epstein durante o período em que atuou como representante especial do Reino Unido para o Comércio Internacional, entre 2001 e 2011. Chris Bryant afirmou que o governo precisa consultar a polícia antes de divulgar determinados arquivos, para evitar prejuízos às investigações em curso. Ainda assim, reforçou a disposição do Executivo em avançar com a publicação dos documentos.
O líder do Partido Liberal Democrata, Ed Davey, afirmou no Parlamento que a relação de Andrew e Peter Mandelson com Epstein representa uma “mancha” no Reino Unido. “Precisamos começar a limpar essa mancha com o desinfetante da transparência”, declarou. Bryant acrescentou que a divulgação é “o mínimo que devemos às vítimas dos horríveis abusos perpetrados por Jeffrey Epstein e outros”.


