HOME > Mundo

EUA atacam alvos militares no Irã, e Teerã responde com ofensiva contra base usada por americanos

Nova troca de ataques amplia tensão no Oriente Médio enquanto negociações para encerrar guerra seguem sem avanços

Ilustração mostra as bandeiras do Irã e dos EUA 27/01/2022 REUTERS/Dado Ruvic/Foto ilustrativa (Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Foto ilustrativa)
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

247 – Os Estados Unidos afirmaram ter realizado ataques contra instalações militares iranianas no fim de semana, enquanto a Guarda Revolucionária do Irã anunciou nesta segunda-feira uma ação de retaliação contra uma base aérea utilizada pelos norte-americanos. A nova troca de hostilidades ocorre em meio às negociações para encerrar a guerra iniciada há três meses.

Segundo reportagem da Reuters, os ataques americanos atingiram alvos na costa iraniana do Golfo. O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) informou que a operação foi uma resposta a "ações agressivas iranianas", incluindo a derrubada de um drone MQ-1 americano que, segundo Washington, operava em águas internacionais.

De acordo com o CENTCOM, aeronaves de combate dos EUA "responderam rapidamente eliminando defesas aéreas iranianas, uma estação de controle terrestre e dois drones de ataque unidirecional que representavam ameaças claras a embarcações que transitavam pelas águas da região".

O comando militar americano acrescentou que continuará protegendo seus ativos e interesses durante o atual cessar-fogo.

Irã anuncia retaliação e Kuwait registra alertas de defesa aérea

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã declarou nesta segunda-feira que atacou uma base aérea utilizada pelos Estados Unidos em resposta aos bombardeios contra o sul do país. O comunicado não especificou qual instalação militar foi atingida.

Ao mesmo tempo, sistemas de defesa aérea do Kuwait interceptavam ataques de mísseis e drones, enquanto sirenes eram acionadas em diversas regiões do país, segundo informou a agência estatal KUNA. O Kuwait abriga uma das principais bases militares americanas no Oriente Médio.

A troca de ataques ocorre poucos dias após um episódio semelhante registrado na semana passada, evidenciando a fragilidade do cessar-fogo firmado no início de abril e a dificuldade das negociações diplomáticas em avançar para um acordo mais duradouro.

Guerra já provocou milhares de mortes e impacto na economia global

A guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro já causou milhares de mortes, principalmente no Irã e no Líbano. O conflito também provocou forte impacto sobre a economia mundial ao impulsionar os preços da energia, consequência do fechamento efetivo do Estreito de Hormuz pelo Irã.

O estreito é uma das rotas marítimas mais importantes para o transporte global de petróleo e gás natural, tornando-se um ponto estratégico para o abastecimento energético mundial.

Trump diz que Irã quer acordo e critica opositores

Em uma publicação nas redes sociais na noite de domingo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não comentou diretamente os ataques mais recentes. Em vez disso, reiterou sua afirmação de que o Irã "realmente quer fazer um acordo".

Trump também criticou aqueles que questionam as negociações em curso, incluindo integrantes de seu próprio partido.

"Simplesmente sentem-se e relaxem, tudo vai acabar bem no final — sempre acaba!", escreveu o presidente americano.

O governo Trump enfrenta crescente pressão interna para reabrir o Estreito de Hormuz e reduzir os preços dos combustíveis nos Estados Unidos antes das eleições legislativas de novembro. Pesquisas recentes indicam aumento da insatisfação dos eleitores com a inflação e o custo da energia.

Ao mesmo tempo, setores mais conservadores do Partido Republicano defendem uma postura mais rígida em relação ao Irã e podem reagir negativamente a eventuais concessões diplomáticas feitas pela Casa Branca.

Mercado reage e petróleo sobe

Os preços do petróleo registraram alta de cerca de 2% nos mercados asiáticos nesta segunda-feira, refletindo a preocupação dos investidores com a ausência de avanços concretos nas negociações.

Trump sustenta que o principal objetivo da campanha militar é impedir que o Irã desenvolva armas nucleares a partir de seu estoque de urânio enriquecido. O governo iraniano, por sua vez, continua negando que possua qualquer programa voltado à produção de armamentos nucleares.

Além da questão nuclear, persistem divergências importantes entre os dois países. Teerã exige o fim das sanções econômicas e a liberação de dezenas de bilhões de dólares provenientes de receitas petrolíferas congeladas em bancos estrangeiros.

Líbano permanece como obstáculo para a paz

Outro fator que dificulta uma solução negociada é a guerra travada por Israel contra o Hezbollah, movimento libanês apoiado pelo Irã.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou no domingo que ordenou o avanço das tropas israelenses em território libanês na ofensiva contra o grupo.

Enquanto isso, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, conversou com o presidente do Líbano, Joseph Aoun, e com Netanyahu sobre os esforços diplomáticos envolvendo Israel e Líbano.

Segundo uma autoridade americana ouvida pela Reuters, Rubio apresentou uma proposta para permitir uma "desescalada gradual" do conflito.

A nova troca de ataques entre Washington e Teerã reforça a percepção de que o cessar-fogo permanece instável e de que uma solução definitiva para a guerra ainda está distante, mantendo o Oriente Médio sob forte tensão e os mercados globais em estado de alerta.

Artigos Relacionados