EUA atacam alvos militares no Irã, e Teerã responde com ofensiva contra base usada por americanos
Nova troca de ataques amplia tensão no Oriente Médio enquanto negociações para encerrar guerra seguem sem avanços
247 – Os Estados Unidos afirmaram ter realizado ataques contra instalações militares iranianas no fim de semana, enquanto a Guarda Revolucionária do Irã anunciou nesta segunda-feira uma ação de retaliação contra uma base aérea utilizada pelos norte-americanos. A nova troca de hostilidades ocorre em meio às negociações para encerrar a guerra iniciada há três meses.
Segundo reportagem da Reuters, os ataques americanos atingiram alvos na costa iraniana do Golfo. O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) informou que a operação foi uma resposta a "ações agressivas iranianas", incluindo a derrubada de um drone MQ-1 americano que, segundo Washington, operava em águas internacionais.
De acordo com o CENTCOM, aeronaves de combate dos EUA "responderam rapidamente eliminando defesas aéreas iranianas, uma estação de controle terrestre e dois drones de ataque unidirecional que representavam ameaças claras a embarcações que transitavam pelas águas da região".
O comando militar americano acrescentou que continuará protegendo seus ativos e interesses durante o atual cessar-fogo.
Irã anuncia retaliação e Kuwait registra alertas de defesa aérea
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã declarou nesta segunda-feira que atacou uma base aérea utilizada pelos Estados Unidos em resposta aos bombardeios contra o sul do país. O comunicado não especificou qual instalação militar foi atingida.
Ao mesmo tempo, sistemas de defesa aérea do Kuwait interceptavam ataques de mísseis e drones, enquanto sirenes eram acionadas em diversas regiões do país, segundo informou a agência estatal KUNA. O Kuwait abriga uma das principais bases militares americanas no Oriente Médio.
A troca de ataques ocorre poucos dias após um episódio semelhante registrado na semana passada, evidenciando a fragilidade do cessar-fogo firmado no início de abril e a dificuldade das negociações diplomáticas em avançar para um acordo mais duradouro.
Guerra já provocou milhares de mortes e impacto na economia global
A guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro já causou milhares de mortes, principalmente no Irã e no Líbano. O conflito também provocou forte impacto sobre a economia mundial ao impulsionar os preços da energia, consequência do fechamento efetivo do Estreito de Hormuz pelo Irã.
O estreito é uma das rotas marítimas mais importantes para o transporte global de petróleo e gás natural, tornando-se um ponto estratégico para o abastecimento energético mundial.
Trump diz que Irã quer acordo e critica opositores
Em uma publicação nas redes sociais na noite de domingo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não comentou diretamente os ataques mais recentes. Em vez disso, reiterou sua afirmação de que o Irã "realmente quer fazer um acordo".
Trump também criticou aqueles que questionam as negociações em curso, incluindo integrantes de seu próprio partido.
"Simplesmente sentem-se e relaxem, tudo vai acabar bem no final — sempre acaba!", escreveu o presidente americano.
O governo Trump enfrenta crescente pressão interna para reabrir o Estreito de Hormuz e reduzir os preços dos combustíveis nos Estados Unidos antes das eleições legislativas de novembro. Pesquisas recentes indicam aumento da insatisfação dos eleitores com a inflação e o custo da energia.
Ao mesmo tempo, setores mais conservadores do Partido Republicano defendem uma postura mais rígida em relação ao Irã e podem reagir negativamente a eventuais concessões diplomáticas feitas pela Casa Branca.
Mercado reage e petróleo sobe
Os preços do petróleo registraram alta de cerca de 2% nos mercados asiáticos nesta segunda-feira, refletindo a preocupação dos investidores com a ausência de avanços concretos nas negociações.
Trump sustenta que o principal objetivo da campanha militar é impedir que o Irã desenvolva armas nucleares a partir de seu estoque de urânio enriquecido. O governo iraniano, por sua vez, continua negando que possua qualquer programa voltado à produção de armamentos nucleares.
Além da questão nuclear, persistem divergências importantes entre os dois países. Teerã exige o fim das sanções econômicas e a liberação de dezenas de bilhões de dólares provenientes de receitas petrolíferas congeladas em bancos estrangeiros.
Líbano permanece como obstáculo para a paz
Outro fator que dificulta uma solução negociada é a guerra travada por Israel contra o Hezbollah, movimento libanês apoiado pelo Irã.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou no domingo que ordenou o avanço das tropas israelenses em território libanês na ofensiva contra o grupo.
Enquanto isso, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, conversou com o presidente do Líbano, Joseph Aoun, e com Netanyahu sobre os esforços diplomáticos envolvendo Israel e Líbano.
Segundo uma autoridade americana ouvida pela Reuters, Rubio apresentou uma proposta para permitir uma "desescalada gradual" do conflito.
A nova troca de ataques entre Washington e Teerã reforça a percepção de que o cessar-fogo permanece instável e de que uma solução definitiva para a guerra ainda está distante, mantendo o Oriente Médio sob forte tensão e os mercados globais em estado de alerta.



