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Guerra no Oriente Médio fortalece plano da COP30 para reduzir dependência do petróleo

Conflito envolvendo Irã, EUA e Israel acelera negociações sobre transição energética e amplia apoio a alternativas de baixo carbono

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a recepção oficial dos chefes de delegação da Cúpula do Clima (COP30), no Parque da Cidade, em Belém (PA) - 06/11/2025 (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
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247 - A escalada do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, somada à disparada dos preços do petróleo nos mercados internacionais, tem reforçado os esforços globais para acelerar a transição energética e reduzir a dependência dos combustíveis fósseis. Segundo reportagem publicada pela Folha de São Paulo, diplomatas envolvidos nas negociações da COP30 afirmam que a crise geopolítica ampliou o interesse de diversos países por alternativas energéticas mais sustentáveis.

O movimento tem impulsionado a elaboração de um "mapa do caminho" para a transição energética mundial, iniciativa liderada pela presidência brasileira da COP30, conferência climática da Organização das Nações Unidas (ONU). O documento deverá apresentar estratégias para diminuir a dependência global do petróleo, do carvão e de outros combustíveis fósseis, ao mesmo tempo em que busca compatibilizar segurança energética, crescimento econômico e metas climáticas.

O fechamento do Estreito de Hormuz, rota estratégica por onde circula grande parte do petróleo comercializado mundialmente, provocou forte alta nos preços da commodity. De acordo com os diplomatas ouvidos pela Folha, esse cenário evidenciou a vulnerabilidade das economias diante da dependência dos combustíveis fósseis e fortaleceu o debate sobre fontes alternativas de energia.

Nos bastidores das negociações, representantes de diferentes países avaliam que a guerra expôs ainda mais as divergências em torno da política energética global. Enquanto setores ligados à transição energética passaram a defender com maior intensidade investimentos em tecnologias limpas, integrantes do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mantiveram uma postura favorável à expansão da produção de petróleo.

Segundo os negociadores, essa diferença de visões ficou evidente durante uma conferência internacional de energia realizada em Houston, no Texas, no final de março. No evento, executivos da indústria automobilística destacaram a necessidade de acelerar soluções como os veículos elétricos diante dos riscos geopolíticos associados ao petróleo, enquanto representantes do governo norte-americano defenderam a continuidade da exploração dos combustíveis fósseis.

O plano em elaboração pela equipe liderada pelo embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, não prevê a eliminação imediata dos combustíveis fósseis. O objetivo central é contribuir para que o mundo alcance a neutralidade de carbono, equilibrando as emissões de gases de efeito estufa com mecanismos de absorção e compensação.

Nesse contexto, os biocombustíveis aparecem como uma das principais apostas. A proposta em discussão considera ampliar o uso de etanol, biodiesel e outros combustíveis renováveis, especialmente em setores de difícil eletrificação, como a aviação e o transporte marítimo, onde as limitações tecnológicas das baterias ainda representam um desafio.

Entretanto, essa estratégia pode enfrentar resistência de países europeus, que historicamente mantêm restrições comerciais à importação de biocombustíveis produzidos em países como o Brasil. Apesar disso, os negociadores consideram que essas fontes terão papel relevante na substituição gradual da gasolina e do diesel.

Para o transporte urbano, a avaliação preliminar é que os veículos elétricos poderão assumir parcela significativa da demanda nas próximas décadas. Já o gás natural, embora também seja um combustível fóssil, tende a ser classificado como uma solução de transição devido à sua menor intensidade de emissões em comparação ao petróleo e ao carvão.

A versão completa do mapa do caminho deverá ser apresentada em setembro, durante a Assembleia-Geral da ONU, em Nova York. Na mesma ocasião, a presidência da COP30 pretende divulgar outro documento estratégico voltado ao combate ao desmatamento global.

A discussão sobre a redução da dependência dos combustíveis fósseis ganhou destaque durante a COP30 realizada em Belém, em 2025. O tema provocou intensos debates entre países favoráveis e contrários à proposta, gerando impasses que chegaram a ameaçar o andamento das negociações multilaterais.

Para evitar um bloqueio nas decisões da conferência, a presidência brasileira optou por desenvolver o mapa do caminho como uma iniciativa própria, sem vinculá-lo ao documento final da COP. Dessa forma, a adesão ao plano será voluntária, sem caráter obrigatório para os países participantes.

Em abril deste ano, cerca de 60 países participaram da primeira Conferência para a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, realizada em Santa Marta, na Colômbia. Entre os participantes estava o Brasil, mas potências como China, Estados Unidos e Rússia não integraram a iniciativa.

As próximas negociações sobre o documento deverão ocorrer em Bonn, na Alemanha, durante a conferência preparatória para a COP31, prevista para acontecer no final do ano, na Turquia.

O escopo do plano concentra-se no setor energético e busca definir ações para os próximos dez anos, com o objetivo de viabilizar a neutralidade de carbono até 2050. Entre os temas em debate estão os critérios para determinar quais países e setores econômicos deverão reduzir primeiro sua dependência dos combustíveis fósseis, além de mecanismos financeiros, reformas tributárias, incentivos à economia de baixo carbono e medidas para minimizar os impactos sociais da transição energética.

A estrutura preliminar elaborada pela presidência da COP30 prevê um documento de 45 a 60 páginas, dividido em três grandes eixos: o papel da indústria de petróleo e gás na transformação energética, estratégias para diversificação das fontes de energia e renda, e instrumentos econômicos necessários para financiar a mudança rumo a uma economia de baixo carbono.

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