"Este é o maior desastre político da história de Israel", diz Lapid, opositor de Netanyahu
Ex-primeiro-ministro e líder da oposição acusa Netanyahu de fracasso diplomático e estratégico após trégua entre Estados Unidos e Irã
247 – O líder da oposição em Israel e ex-primeiro-ministro Yair Lapid fez uma crítica contundente ao governo de Benjamin Netanyahu, classificando a atual condução da política externa israelense como um fracasso histórico. Em publicação nesta quarta-feira, Lapid afirmou que o país enfrenta um colapso sem precedentes em sua articulação diplomática, em meio à trégua negociada entre Estados Unidos e Irã. As informações sobre o acordo foram divulgadas pela Reuters.
“Não houve um desastre político como esse em toda a nossa história. Israel nem mesmo esteve perto da mesa quando decisões que afetam o cerne da nossa segurança nacional foram tomadas.”, escreveu Lapid, ao comentar o fato de que a pausa de duas semanas anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi articulada sem protagonismo direto de Israel.
Lapid também destacou o contraste entre o desempenho das instituições e o que considera falhas graves da liderança política. “O exército cumpriu tudo o que lhe foi pedido, o público demonstrou uma resiliência impressionante, mas Netanyahu falhou diplomaticamente, falhou estrategicamente, não cumpriu nenhum dos objetivos que ele próprio estabeleceu.”, afirmou.
O dirigente oposicionista foi além e apontou consequências duradouras para o país. “Levará anos para consertarmos os danos diplomáticos e estratégicos que Netanyahu causou por causa de arrogância, negligência e falta de planejamento estratégico.”, escreveu, indicando que, em sua avaliação, o impacto das decisões atuais ultrapassa o momento imediato do conflito.
As declarações ocorrem em um contexto de forte tensão regional. Segundo a Reuters, Israel apoiou a decisão de Trump de suspender por duas semanas os ataques contra o Irã, como parte de um esforço para abrir espaço a negociações. No entanto, o governo de Netanyahu deixou claro que o entendimento não se estende ao Líbano, onde as operações militares israelenses continuam.
A posição israelense gerou controvérsia porque o acordo foi mediado com participação do Paquistão e chegou a ser apresentado por autoridades como um passo relevante para a desescalada do conflito no Oriente Médio. Ainda assim, ao manter o Líbano fora do cessar-fogo, o governo Netanyahu preserva uma das frentes mais sensíveis da guerra.
A crítica de Lapid ganha peso por sua trajetória política. Além de liderar a oposição no Parlamento israelense, ele já ocupou o cargo de primeiro-ministro e é uma das principais vozes do campo político que disputa o poder com Netanyahu. Sua avaliação, portanto, reflete não apenas uma divergência partidária, mas também uma leitura estratégica de quem já esteve à frente do governo em momentos de tensão regional.
Ao afirmar que Israel foi excluído das decisões centrais sobre sua própria segurança, Lapid sugere um enfraquecimento da influência diplomática do país em um dos momentos mais críticos do cenário internacional recente. A declaração reforça o debate interno sobre os custos políticos e estratégicos da atual condução do conflito e sobre o papel de Israel nas negociações em curso entre Washington e Teerã.


