"Estamos muito perto de fazer um acordo com o Irã", diz Trump
Presidente dos Estados Unidos mencionou a possibilidade de viajar a Islamabad, no Paquistão, caso o entendimento seja formalizado
247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a guerra envolvendo o Irã pode chegar ao fim em breve e indicou que há avanços concretos para um acordo entre as partes, ao mesmo tempo em que defendeu que o Hezbollah apoie a trégua de 10 dias firmada entre Israel e Líbano. A declaração reforça expectativas de uma solução diplomática após semanas de escalada militar na região, segundo informações da Reuters.
Em conversa com jornalistas, Trump demonstrou otimismo sobre o avanço das negociações. “Vamos ver o que acontece. Mas acho que estamos muito perto de fazer um acordo com o Irã”, afirmou. A Reuters destaca que o presidente norte-americano também mencionou a possibilidade de viajar a Islamabad, no Paquistão, caso o entendimento seja formalizado.
O conflito, iniciado em 28 de fevereiro após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, já deixou milhares de mortos e provocou forte repercussão internacional. Além do impacto humanitário, a guerra desencadeou um choque histórico nos preços do petróleo, levando o Fundo Monetário Internacional (FMI) a revisar para baixo suas projeções econômicas globais e alertar para o risco de recessão caso o impasse se prolongue.
Avanços diplomáticos e negociações indiretas
Fontes envolvidas na mediação indicam que houve progresso em negociações indiretas entre Washington e Teerã. Segundo um interlocutor paquistanês ouvido pela Reuters, há um entendimento inicial entre os dois lados, que pode resultar na assinatura de um memorando de entendimento nos próximos dias, seguido de um acordo mais amplo em até 60 dias.
“Ambos os lados estão concordando em princípio. E as questões técnicas vêm depois”, disse a fonte, sob condição de anonimato.
Entre os principais pontos de divergência estão o programa nuclear iraniano e a suspensão de sanções internacionais. Os Estados Unidos propuseram a interrupção das atividades nucleares do Irã por 20 anos, enquanto Teerã sugeriu um prazo entre três e cinco anos. Também há discussões sobre o destino do urânio altamente enriquecido, com sinais de possível compromisso, incluindo a retirada parcial do material do país.
Impacto nos mercados e tensão no Golfo
A perspectiva de um acordo influenciou os mercados internacionais. Os preços do petróleo recuaram diante da expectativa de desescalada do conflito, embora o Estreito de Ormuz — responsável por cerca de um quinto do fluxo global de petróleo e gás — continue praticamente fechado.
O bloqueio imposto pelos Estados Unidos a navios que entram ou saem de portos iranianos também agrava a situação, podendo reduzir significativamente as exportações de petróleo do Irã, especialmente para a China.
Paralelamente, França e Reino Unido lideram uma reunião com cerca de 40 países para discutir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, indicando preocupação global com os impactos do conflito.
Trégua no Líbano e retorno de deslocados
No Líbano, o início do cessar-fogo foi marcado por celebrações em partes de Beirute, enquanto moradores deslocados começaram a retornar às suas casas. No entanto, muitos encontraram cenários de destruição.
A guerra entre Israel e o Hezbollah, intensificada após o início do conflito com o Irã, deixou cerca de 2 mil mortos no Líbano, segundo autoridades locais. Trump afirmou ter conversado com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e com o presidente libanês, Joseph Aoun, e disse que pretende convidá-los para negociações na Casa Branca.
Apesar da trégua, há incertezas sobre sua duração. Muitos moradores optaram por manter suas famílias afastadas das áreas afetadas.
“Há destruição e é inabitável. Inabitável. Estamos pegando nossas coisas e indo embora de novo”, disse Fadel Badreddine, que voltou à região com sua esposa e filho. “Que Deus nos conceda alívio e acabe com tudo isso permanentemente.”


