"Trump não foi eleito imperador do mundo para ameaçar outros países com guerra o tempo todo", diz Lula
Presidente critica ameaças de guerra constantes feitas pelo mandatário estadunidense e cobra reforma no Conselho de Segurança da ONU
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao afirmar que ele não foi eleito “imperador do mundo” e defender mudanças no Conselho de Segurança da ONU em meio ao aumento das tensões internacionais. A declaração foi feita em entrevista à revista alemã Der Spiegel, na qual o líder brasileiro abordou conflitos globais e a necessidade de reorganização da governança mundial. A entrevista foi publicada nesta quinta-feira (16), mesmo dia em que Lula iniciou uma viagem oficial à Europa, com compromissos previstos na Alemanha, Espanha e Portugal.
Críticas à postura dos Estados Unidos
“Trump não foi eleito imperador do mundo. Ele não pode ficar ameaçando outros países com guerra o tempo todo. Precisamos colocar este mundo em ordem, que está prestes a se transformar em um campo único de batalha”, afirmou Lula na entrevista. O presidente brasileiro também comentou o ambiente de disputa entre grandes potências, como China, Rússia e Estados Unidos. Segundo ele,
Lula também disse ter pedido aos líderes da China, Rússia e França - Xi Jinping, Vladimir Putin e Emmanuel Macron, respectivamente - para que fosse realizada uma reunião do Conselho de Segurança da ONU para que Trump fosse instado a discutir o conflito no Irã, mas que ninguém "deu ouvidos". “É como se estivéssemos à deriva em alto mar, em um navio sem capitão”,ressaltou.
Impactos globais e cobrança à ONU
Lula alertou para os efeitos sociais de possíveis conflitos armados, especialmente em países mais vulneráveis. “Não pode ser que Trump comece uma guerra com o Irã e que quem acabe pagando a conta dessa guerra sejam os pobres da África ou da América Latina, que terão de gastar mais dinheiro com feijão, carne e verduras”, declarou.
Ele também cobrou uma atuação mais firme da Organização das Nações Unidas. “O secretário-geral da ONU, António Guterres, deveria convocar imediatamente uma Assembleia Geral Extraordinária para que Trump, Putin e os outros prestem contas”, afirmou.
Defesa de reforma no Conselho de Segurança
Outro ponto central da entrevista foi a crítica à atual composição do Conselho de Segurança da ONU. Lula defendeu a inclusão de novos membros permanentes, como países africanos, do Oriente Médio, além de Brasil ou Alemanha. Para o presidente, há incoerência no funcionamento do órgão.
“Como você pretende explicar a alguém que, justamente, os cinco membros permanentes são os maiores produtores de armas? São eles que possuem armas nucleares e travam guerras”, criticou, ao citar conflitos recentes envolvendo grandes potências.
Relação com Cuba e economia
Questionado sobre a possibilidade de apoio energético a Cuba, Lula afirmou que o Brasil não enviou petróleo ao país para evitar impactos negativos sobre a Petrobras no mercado internacional.
“Nossas relações com Cuba são tão boas que os cubanos nos deram a entender: Lula não deve tomar nenhuma medida que prejudique o Brasil”, disse. Ele acrescentou que o país pode oferecer “medicamentos e alimentos” e destacou a importância de ajudar Cuba a reduzir sua dependência energética.
Eleições e cenário político
Na entrevista, Lula também abordou a política interna e evitou confirmar candidatura à reeleição. Segundo ele, a decisão dependerá da convenção do Partido dos Trabalhadores, embora esteja se preparando. “Estou com a cabeça e o corpo 100% em forma. Quero viver até os 120 anos”, afirmou.
Sobre uma eventual derrota, destacou o respeito ao resultado das urnas. “Quando o povo toma uma decisão, seja ela de direita, de esquerda ou do centro, temos de aceitar o resultado”, disse. O presidente também demonstrou confiança na continuidade democrática do país.
Agenda internacional
A entrevista foi divulgada na véspera da viagem de Lula à Europa, considerada uma das principais agendas internacionais antes das eleições. Entre os compromissos está a participação, ao lado do chanceler alemão Friedrich Merz, na abertura da Feira de Hannover, maior evento de tecnologia industrial do mundo, que terá o Brasil como país-parceiro nesta edição.


