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Brasil e EUA discutem comércio e segurança no G7

Mauro Vieira e Marco Rubio realizaram duas reuniões nesta sexta-feira, durante o encontro do G7 em Vaux-de-Cernay, na França

Mauro Vieira e Marco Rubio (Foto: Reprodução/X/@ItamaratyGovBr)

247 - O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, realizaram duas reuniões nesta sexta-feira (27), durante o encontro do G7 em Vaux-de-Cernay, na França. Os diálogos ocorreram antes e após a sessão matinal do segundo dia do evento e tiveram como foco o fortalecimento das relações bilaterais, especialmente nas áreas de comércio e combate ao crime organizado transnacional. As conversas também serviram para atualizar negociações em andamento entre os dois países, relata o jornal O Globo.

Segundo interlocutores do Itamaraty, os encontros fazem parte de um processo contínuo de interlocução entre Brasil e Estados Unidos, que vem sendo intensificado há mais de dois meses. O objetivo é consolidar avanços em temas estratégicos e manter a cooperação ativa, sobretudo em áreas consideradas sensíveis para ambas as nações.

Terrorismo ficou fora das conversas

Nos bastidores, diplomatas brasileiros enfatizaram que não houve qualquer discussão sobre a possibilidade de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. De acordo com esses relatos, o assunto “não foi sequer mencionado” durante as reuniões entre Vieira e Rubio.

A exclusão do tema ocorre em meio a debates recentes nos Estados Unidos sobre o endurecimento da abordagem contra grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). A hipótese de enquadramento dessas organizações como terroristas ganhou espaço em setores do governo norte-americano, gerando preocupação no Brasil.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem atuado para impedir esse tipo de classificação, defendendo que o combate ao crime organizado seja tratado no âmbito da cooperação policial e de inteligência. Auxiliares do presidente avaliam que uma eventual mudança de abordagem poderia afetar a soberania nacional e gerar atritos na relação bilateral.

Há também a percepção, dentro do governo brasileiro, de que a pressão por medidas mais duras parte de um grupo político ligado a Rubio dentro do Departamento de Estado, associado a posições mais conservadoras.

Estratégia é manter diálogo e evitar politização

Diante desse cenário, a comunicação direta entre Mauro Vieira e Marco Rubio tem sido mantida de forma constante desde o início do ano. A estratégia busca calibrar a cooperação em segurança e impedir que o tema evolua para uma crise diplomática.

A avaliação interna é de que a manutenção de canais técnicos e diplomáticos abertos é fundamental para evitar a politização da agenda e conter possíveis ruídos nas relações entre Brasil e Estados Unidos.

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